Papo de Mãe
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COVID-19 e os riscos para adolescentes

Para os adolescentes como os riscos são similares aos dos adultos jovens, portanto todo cuidado é pouco especialmente neste momento de colapso do sistema de saúde e ainda com a presença desta nova variante no Brasil.

Roberta Manreza Publicado em 23/03/2021, às 00h00 - Atualizado às 16h10

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23 de março de 2021


Alerta para os pais: COVID-19 e os pré-adolescentes e adolescentes, com o que devemos nos preocupar?

Por Rafaella Gato*,

A situação atual da pandemia do novo Coronavírus, especialmente neste período no Brasil, tem deixado os pais e mães de cabelo em pé.
Crianças e adolescentes privados do convívio social de amigos e família, além das cansativas e longas aulas online colocando cada vez mais e mais estes jovens presos às telas, videogames e celulares.

O índice de ansiedade, dificuldade para dormir ou insônia, obesidade e até alterações de visão tem se tornado cada vez mais alarmante. Mas ao mesmo tempo, os adolescentes e crianças maiores de 12 anos podem ter apresentações multivariadas e até formas graves da doença, como qualquer adulto jovem saudável, portanto diferentemente das crianças menores que são bem menos afetadas pela COVID-19, este público merece atenção especial dos pais e responsáveis nos cuidados.

Em relação aos números hospitalizações e mortes pela COVID-19, a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou alguns números: observou-se que no ano de 2020 crianças e adolescentes de 0 até 19 anos representaram 2,46% do total de internações com uma taxa de mortalidade de 0,62%. Já em 2021 (dados até 01 de Março), o mesmo percentual de internações foi de 1,79% com mortalidade de 0,36%.

Neste momento de explosão de casos no país, é esperado um aumento do número de casos em todas as faixas etárias, mas os dados que temos até o momento não demonstram um perfil mais grave em crianças e adolescentes.

Nesta época do ano, outros vírus se fazem mais presentes, como o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), causando um aumento significativo pela procura de pronto atendimento e até internações, especialmente em menores de 2 anos.

No mês de abril do ano passado, começaram a aparecer relatos de uma possível síndrome inflamatória em crianças e adolescentes possivelmente associada à COVID com apresentação clínica muito similar a um velho conhecido do pediatra geral: doença de Kawasaki. Como o passar dos meses outros países começaram a relatar casos semelhantes, quando também começamos a ver os primeiros casos no Brasil.

A síndrome de Kawasaki pode se apresentar com: febre mais que 3 dias associada a manchas na pele, conjuntivite, lesões em boca e inchaço/descamação das mãos, aumento do fígado/baço e alterações cardíacas. Já a síndrome inflamatória relacionada à COVID pode causar alterações cardíacas variadas até miocardite que a inflamação global do coração com alteração no sei funcionamento.

Agora com protocolos de atendimentos bem estabelecidos, tanto no Brasil ,quanto no exterior, já sabemos como reconhecer esses casos. É importante lembrar que vários estudos consistentes já demonstraram que a ocorrência de apresentações graves relacionada à COVID são pouco frequentes na maioria das séries de estudos clínicos sempre abaixo de 1%.

O sinal de alerta é que na maioria das séries, quando existe a necessidade de internação, especialmente com quadros respiratórios, a maioria demonstra que a faixa etária dos adolescentes é a mais frequente e condições associadas como obesidade e asma também chamam atenção.

Para os adolescentes como os riscos são similares aos dos adultos jovens, portanto todo cuidado é pouco especialmente neste momento de colapso do sistema de saúde e ainda com a presença desta nova variante no Brasil, valem os mesmos cuidados de sempre como manter distanciamento social, uso de máscaras de maneira adequada – bem vedada cobrindo boca e nariz – com troca frequente, lavagem das mãos/uso de álcool gel e a espera das vacinas que estão em estudo neste momento em todo o mundo para os menores de 18 anos.

*Por Rafaella Gato, cardiologista infantil e pediatra do Saúde4kids.

Saúde4kids – O amor à medicina uniu as médicas: Fernanda, Rafaella e Ana. Além da vocação em servir aos pequenos, elas tinham outra certeza: precisavam ajudar as mamães. Perceberam que muitas estavam perdidas nesse caminho cheio de novidades e incertezas que é a maternidade e, na busca por informações, as mamães se perdiam ainda mais.

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