Papo de Mãe
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Competição ou Cooperação? Qual a melhor maneira de educarmos nossas filhas e filhos?

A colunista do Papo de Mãe, Ariela Doctors, chef, comunicadora e mãe nos traz a cozinha como um belo local de educação. E no final do texto tem receita de tapiocas coloridas

Ariela Doctors* Publicado em 27/01/2021, às 00h00 - Atualizado às 10h41

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Creio que o importante é nos deslocarmos para o terreno do possível e das possíveis compatibilidades.

Na natureza, entre as plantas e outros animais, observamos muitas relações, tanto de competição como de cooperação. Mas, se formos pensar em termos de humanidade, a competição, geralmente, acaba por educar pessoas para hábitos de individualidade, rivalidade, agressividade e fomenta a exclusão, o desejo de dominação e a inimizade.

A cooperação pode ser um meio para a competição, e a competição um meio para a cooperação. No caso de um inimigo externo, ele acaba por forçar a cooperação entre as partes envolvidas.

Podemos pensar que, diante de uma catástrofe natural, por exemplo, podemos cooperar para minimizar seus efeitos, contudo, os participantes podem competir para serem os melhores cooperadores, para um bem maior comum.

Por isso, creio que para educarmos nossos filhos e filhas no mundo de hoje, é importante nos deslocarmos para o terreno do possível e, como sempre, encontrarmos caminhos do meio, onde a experiência é o próprio caminho.

Uma ótima possibilidade de caminho é a cozinha!

A cozinha é u​m lugar incrível para experimentarmos os caminhos da competição e da cooperação e deixar que elas e eles apostem em suas próprias conclusões!

Quem disse que lugar de criança não é na cozinha?

Com os devidos cuidados e o acompanhamento de um adulto, pode e deve ser sim! Muitas escolas usam o espaço da cozinha como um laboratório de experiências e até um lugar central da instituição, como é o caso da Reggio Emília, na Itália.

Criando um ambiente seguro, podemos quebrar os paradigmas tradicionais da educação e deixar que a criança torne-se protagonista do seu conhecimento dentro da “cozinha laboratório”.

O papel do adulto aqui é de trazer diferentes materiais, insumos e elementos de pesquisa para que ela amplie seu repertório, sinta diferentes aromas, texturas e sabores e faça suas próprias descobertas!

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É importante percebermos a importância da relação que existe entre pais, mães, filhas e filhos no processo de aprendizagem e de descobertas.
Com origens na antropologia, na psicologia e na nutrição, podemos pensar num cuidado responsivo que reflete a reciprocidade entre a criança e o cuidador, como um processo mútuo.

A criança certamente criará expectativas a cada encontro, e irá responder e sinalizar suas emoções. Nós, como pais e mães educadores, temos de estar com a escuta atenta e os sentidos aguçados para responder, de uma maneira que seja emocionalmente favorável e apropriada ao desenvolvimento; e assim a criança experimenta respostas criativas e interessantes.

Nos primeiros anos, ela já tem a capacidade de misturar, experienciar consistências (sólidos e líquidos), provar e assim, aumentar a confiança em suas capacidades, reconhecendo suas conquistas e também suas limitações.

A partir de 4 anos, com a supervisão de um adulto e com os utensílios certos (como facas sem ponta, descascadores, raladores grandes), ela já tem a capacidade de cortar, ralar, refogar, ver e degustar as possíveis transformações do alimento, observando suas propriedades. Isso possibilita o desenvolvimento dos seus movimentos e a sua sintonia fina.

Criando esta rotina de encontros para cozinhar juntas e juntos é possível criar um ambiente de desenvolvimento individual e também coletivo, onde a criança além de desenvolver suas próprias capacidades, controlando e adequando seu corpo, desenvolve outras habilidades coletivas como a cooperação e a empatia.

Ao final deste momento de preparar a comida, temos sempre o ápice do encontro, quando degustamos nossa produção, criando um laço afetivo da criança com o ato de comer e compartilhar.

A comida é um instrumento poderoso de educação e transformação!

Aí vai mais uma receita para vocês praticarem em família!

Receita de Tapiocas coloridas com cenoura e beterraba

Ingredientes

200 gramas de polvilho doce

2 cenouras grandes

2 beterrabas grandes

2 xícaras de água

3 ou 4 flores ou ervas comestíveis (se possível)

Sal a gosto

Com preparar

  1. Bata no liquidificador as cenouras com 1 xícara de água, reserve.
  2. Separadamente, bata no liquidificador as beterrabas com 1 xícara de água,reserve.
  3. Separe numa tigela 100 gramas de polvilho doce para hidratar com o suco da cenoura e os outros 100 gramas em outra tigela, para o suco de beterraba.
  4. Aos poucos, com uma colher de sopa, vamos hidratar o polvilho com os sucos até adquirir a consistência granulada. Não é necessário usar todo o suco, o que sobrar, podemos beber!
  5. Depois de hidratado o polvilho, vamos colocar numa frigideira as flores comestíveis e por cima o polvilho, com a ajuda de uma peneira.
  6. Aqueça a frigideira até dar o ponto da tapioca (quando os grãos se juntam formando uma panqueca). Pôde-se rechear com queijo ou comer pura!

Utensílios

-Liquidificador Peneira
-Frigideira pequena Colher de sopa Faca

Você pode acessar outras receitas no site Comida e Cultura 

Fontes:

(1) Referência: Artigo científico COMPETIÇÃO E COOPERAÇÃO:NA PROCURA DO EQUILÍBRIO, de Dr. Hugo Rodolfo Lovisolo (UFRJ) e Dr. Carlos Nazareno Ferreira Borges (UGF)

*Ariela Doctors é chef, comunicadora, mãe e colunista do Papo de Mãe


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