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Como transformar a ida ao dentista em momento especial para as crianças? Conheça o tio Paulo

Especializado em odontopediatria, o dentista Paulo Bonavides usa seus dons artísticos para transformar a ida ao consultório em diversão

Maria Cunha* Publicado em 29/10/2021, às 07h00

Paulo Bonavides utiliza mágicas, histórias e o universo dos personagens para se aproximar dos pacientes - Reprodução: Instagram
Paulo Bonavides utiliza mágicas, histórias e o universo dos personagens para se aproximar dos pacientes - Reprodução: Instagram

Dentista ou personagem de programa infantil? Um consultório ou um ambiente mágico? Perguntas como essas são comuns quando falamos das consultas do odontopediatra Paulo Bonavides, conhecido como Tio Paulo. Além de ser apresentador em uma TV educativa de Santos e já ter trabalhado como animador de festas infantis, o dentista reúne mais de 120 mil seguidores só no Instagram. 

“Eu sou conhecido como o dentista mágico, eu levo tudo para o lúdico, acredito que antes de ser dentista, sou artista. Eu tento trazer essa magia para dentro das minhas consultas e tenho como inspiração o Walt Disney, porque a Disney vende felicidade e amor”, conta. "Eu faço com o brilho nos olhos, porque eu faço com muito prazer, muita vontade, eu quero abraçar meus pacientes, ver esses pacientes felizes. Eu acho que isso é uma vitória", completa o profissional. 

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Para Paulo, seu trabalho como apresentador e, no passado, animador de festas, foi o que influenciou sua forma de trabalhar, pois todos os dentistas realizam os mesmos procedimentos ─ tirar uma cárie, extrair um dente ou fazer um tratamento de canal ─ e a técnica é a mesma, mas o como fazer, o manejo, é onde o odontopediatra se destaca.

"Eu acho que toda essa desenvoltura que eu tenho, em falar bem em público, lidar com as crianças e pacientes, ter boa dicção, saber as histórias, tudo isso, eu devo ao trabalho como animador de festas. Eu era palhaço e foi com esse dinheiro que eu me formei. Depois, virei apresentador de TV, e eu acho que é o meu diferencial". 

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Um prêmio por um ato de coragem

Além de se aproximar dos pacientes com mágicas, histórias e o universo dos personagens e desenhos, no final, as crianças ganham de Paulo um prêmio, que costuma ser algum brinquedo lúdico ou até a presença de algum personagem preferido do paciente. Entretanto, essa não era a ideia inicial do dentista, que adaptou sua proposta. 

"Quando eu me formei, apresentei o meu TCC e, nele, eu me vestia de palhaço e fazia uma técnica chamada clownterapia. Mas, eu comecei a repensar e ver que eu poderia traumatizar uma criança. Imagina se eu der uma anestesia numa criança fantasiado, aí depois ela vai ao circo e acha que foi o palhaço que deu a anestesia, explica. "Então, eu precisei assumir uma postura de Tio Paulo, de Dr. Paulo, de dentista, e esses personagens entram como um prêmio", conta o odontopediatra. 

Paulo Bonavides ainda reforça que, apesar de achar o presente no final muito importante, ele deve ser um prêmio por um ato de coragem e não pode se tornar um suborno. Ele também lembra que são apenas objetos materiais e pessoas caracterizadas.

"Acho que muito mais do que os prêmios, o fato da criança perceber esse amor e esse carinho que eu tenho por ela, eu acho que é muito mais significativo do que um presente caro, é onde eu conquisto".

Acabando com o medo de dentista

Tudo o que envolve crianças, segundo o odontopediatra, precisa ter este espírito, lúdico, para não assustá-las, o que inclui desde o tom da voz, até a didática. Afinal de contas, os utensílios utilizados no consultório e o ambiente pouco familiar podem ser desconfortáveis até mesmo para adultos. 

"Eu tento ser o menos dentista possível, eu não uso roupa branca, a minha roupa é igual a roupa dos pais. Eu também não falo igual bobo, no diminutivo, tratando as crianças como bobas, porque, hoje em dia, elas já nascem sabendo mexer no celular e com o dedo no IPad, então, eu tento trazer esse universo tecnológico e moderno, transformando essa consulta em algo mágico". 

E falando em magia, Paulo Bonavides também guarda diversos objetos encantados em seu consultório, como uma varinha, de onde, segundo ele, não sai glitter, mas um pó mágico que transforma e dá forças para a criança virar corajosa. Outro aparelho do dentista é um teclado mágico, pelo qual fala com o mundo da fantasia e com as princesas. 

"A minha pomada é vermelha, porque quando eu faço a cirurgia e sai sangue, eu lembro a criança de que nada mais é do que a pomada que eu passei e ela para de chorar na hora. Aqui também não tem injeção, eu falo que vamos colocar uma água super potente, que veio do País das Maravilhas, para matar o bichinho que está na boca dela", relata o odontopediatra. "Depois de dar uma escova de dentes para a criança, no final da consulta, eu também filmo, rapidamente, ela olhando e falo que a escova tem uma câmera que monitora tudo o que ela faz, então, se ela deixar de escovar os dentes, eu vou conseguir ver. A criança dá risada e, se ela duvida, eu mostro o vídeo".

Dentista de bebês

Paulo Bonavides ainda se dedica a atender pacientes bebês e recém-nascidos com os quais não é possível realizar uma consulta lúdica. Recentemente, ele operou a língua de um menino de três dias de vida. 

"Eu faço frenectomia, que é o cortezinho do freio da língua, em bebês de três ou quatro dias, indicado para o bebê conseguir fazer a amamentação e ter ganho de peso, melhorando a sua qualidade de vida. O lúdico, então, eu tenho que passar aos pais, dar segurança, mostrar que eu estudei, me preparei para aquilo e estou seguro". 

Por serem muito pequenos e o procedimento ser invasivo, o dentista afirma que, obviamente, os bebês choram, e é preciso pedir para que os pai ajudem a segurar a criança, que façam uma estabilização protetora do paciente, entendendo que aquilo é para o bem dela e que nem sempre é possível fazer uma consulta lúdica. 

"Eu sou odontopediatra, se eu não conseguir fazer o atendimento, quem é que vai conseguir fazer? Vai internar essa criança? Então, muitas vezes, a gente precisa ter um atendimento não tão mágico assim, mas a gente sempre vai tentar e evitar causar um trauma. Quantos adultos têm trauma de dentista por consultas ruins ou profissionais mal qualificados?", explica Paulo. 

Mas, para o dentista, o atendimento com bebês, mesmo que tenha desafios, é recompensador. "Quando você pede que a mãe tente amamentar e aquela criança que não conseguia mamar faz a pega, mama, e você dá o alimento pra essa criança, isso é maravilhoso. Você fez uma criança se alimentar".

O resultado de tudo

Paulo afirma que cada paciente é único, precisa de um trabalho individualizado, mas o resultado final desejado é sempre o mesmo: um belo sorriso das crianças e dos pais. 

"Eu acho que dentista vai muito além de dente, a gente não está ali para ver dente, eu sou um médico da criança. A gente conversa, vê como está a fase de crescimento, o desenvolvimento, a fala. O dente também está muito associado a se a criança tem uma boa aparência, se não tem, ela sofre ou não bullying, se ela tem uma fonética positiva, se consegue falar bem. Não é só consertar e tapar buracos, o dentista está ali para realizar sonhos”, conclui. 

O dentista Paulo Bonavides
O dentista Paulo Bonavides

*Maria Cunha é repórter do Papo de Mãe

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