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Como a pandemia impactou os futuros professores brasileiros?

Na semana do Dia da Educação, entenda quais os impactos da pandemia na formação de futuros professores

Raphael Preto Pereira Publicado em 28/04/2022, às 14h34

Professores voltaram para a sala de aula
Professores voltaram para a sala de aula

“Digo a você que estou com saudade voltar para a sala de aula”, é assim que a professora Claudia Galian  começa a nossa conversa. Mesmo deixando clara essa vontade ela  afirma que perdeu “ a prática” em algumas coisas que são inerentes à atividade de lecionar.  “perdi a capacidade de ficar três horas em pé, e a voz também está começando a falsear” lamenta.

Tudo isso  é culpa da pandemia. O microfone, equipamento que já era utilizado por professores de cursinhos para lidar com salas lotadas, e não exigia tanta extensão vocal,  virou um utilitário indispensável durante o fechamento obrigatório das escolas por causa da COVID 19. Agora, com a volta das aulas para o formato presencial, a conta começou a chegar.

Todas as dificuldades que se apresentaram aos educadores do mundo inteiro foram potencializadas no caso de Claudia. Porque, como professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo ela é uma das responsáveis pela formação dos estudantes de licenciatura da universidade. Fundamental, portanto, na formação dos que futuros professores.

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“Os estudantes sentiram muito a falta das disciplinas práticas, e a grade da universidade privilegia muito a integração entre a teoria e a prática”. Explica. Segundo ela, alguns professores chegaram a orientar os estudantes a realizarem estágios de maneira, on-line. Não foi o caso de Claudia.

Na sua disciplina, em que ela discute com os estudantes o que é ensinado nas escolas e os motivos pelos quais uma instituição de ensino privilegia um conteúdo e não outro, ela precisou adaptar a disciplina, reorganizando-a, com algumas medidas práticas.

Entre elas, a utilização de relatórios de estágios, que haviam sido apresentados por outros estudantes, que haviam feito o estágio de forma presencial, a partir daí, os alunos conseguiram, discutir casos e propor soluções para os problemas que foram relatados por outros  estudantes que haviam passado pela experiência de estágio quando a pandemia permitia.

Além disso, ela também analisou junto  com os estudantes os materiais oferecidos pelas secretarias de educação que subsidiavam as atividades dos estudantes na durante o ensino remoto.

“Foi um momento em que a teoria, se misturou com a prática, porque, de fato enquanto nós estávamos discutindo os matérias que as secretárias de educação ofereciam, eu recebia diversas perguntas das instituições de ensino sobre o que elas deviam priorizar, no meio deste contexto, já que não dava para ensinar tudo para todo mundo”. E os professores vinham perguntar para gente o que fazer.  

Além disso, a aula dela sofreu uma diminuição porque “não dá para ficar três horas, falando com o computador”. Como qualquer educadora, ela sentiu falta do contato com a turma, “ é muito difícil dar aula para o computador. Além disso, a mistura do espaço da casa e da escola ficou bem exposta. A maioria dos estudantes usava a câmera desligada. Como é que você vai manter a interação assim?” Questiona.

Os estudantes de graduação realmente parecem estar sedentos por aprender a ensinar. Alguns chegaram a fazer o estágio obrigatório ainda quando as escolas não estavam com 100% da ocupação utilizada e ainda tinham rígidos protocolos sanitários.

Finalmente, agora eles estão mais livres para aprender a ensinar.   

*Raphael Preto Pereira é jornalista

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