Papo de Mãe
Papo de Mãe

Como mãe e educadora vou mexer em alguns “vespeiros”

A partir desta semana, vou assumir os textos do site papo de mãe que serão publicados todas às quartas-feiras.

Roberta Manreza Publicado em 15/12/2020, às 00h00 - Atualizado em 17/12/2020, às 15h42

None
15 de dezembro de 2020


Muito prazer, me chamo…

Olá, me chamo Ana Paula Yazbek. Na minha infância era chamada apenas de Ana. Ana Paula, com uma sonoridade grave, só surgia na boca da minha mãe quando eu ia levar bronca. Só fui aprender a ouvir meu nome composto, sem sobressalto, quando, já trabalhando, tive que ser diferenciada das outras Anas. Com isso, por um tempo me tornei Ana Paula profissionalmente e continuei Ana na intimidade, até que em 2002, abri uma escola infantil em sociedade com a minha mãe e minha tia e esta distinção deixou de ser tão forte.

Estou contando sobre isso, porque a partir desta semana, vou assumir os textos do site papo de mãe que serão publicados todas às quartas-feiras. Fiquei muito animada com este convite e tenho pensado bastante em temas que irão compor estes nossos encontros semanais.

Às vezes, vou escrever como Ana e vou partir de minhas experiências pessoais como mãe da Marina e do Pedro para falar das delícias e desafios que é ser mãe. Penso em falar dos sentimentos controversos que perpassam as relações entre mães e filhos, dos encontros e desencontros, da solidão da maternidade e do sentimento de pertencer a uma família.

Outras vezes, vou escrever como Ana Paula, educadora, diretora de uma escola de educação infantil, formadora de educadores(as), estudiosa da infância. Pretendo tratar de temas abrangentes da educação de crianças, do direito à infância, da necessidade das crianças serem consideradas em sua subjetividade, como sujeitos desde o nascimento. Vou mexer em alguns vespeiros, pois acredito que algumas práticas usuais na educação infantil devam ser repensadas.

É provável que alguns textos sejam escritos tanto pela Ana como pela Ana Paula, mas espero com eles proporcionar algumas boas reflexões e levantar algumas ideias.

Para me apresentar um pouco mais, queria dizer que acredito que a maternidade é permeada por sentimentos complexos, que é possível ao mesmo tempo amar ser mãe e estar cansada de ser mãe. Que nossos filhos são as pessoas mais incríveis do mundo, mas nem sempre nos encantam. Que o equilíbrio nas relações se faz com desequilíbrio, ora somos muito permissivas, ora muito coercitivas. Enfim, que a incoerência faz parte de ser mãe e por isso, precisamos dar passos para frente, para trás e para os lados para conseguirmos trilhar este longo caminho junto de nossos filhos.

Desconfio da maternidade plena e da alegria incondicional de uma mãe. E já antecipo que fazer todas as refeições em família, com direito a conversas agradáveis sobre o dia, além de alimentação caseira e balanceada, proporciona muita cumplicidade, mas não é antidoto às adversidades da vida em família.

Como educadora, não canso de me encantar pelas sutilezas das descobertas das crianças, do desejo intenso que têm de conhecer e decifrar o mundo. Acredito que precisamos aprender a ver, a ouvir e a decodificar os pequenos sinais e ações das crianças para nos aproximarmos efetivamente delas. Mas acredito também, no papel fundamental dos adultos para darem contornos e sustentação ao que as crianças fazem e às suas descobertas.

Por ora fico por aqui, muito prazer, me chamo…

Ana Paula Yazbek é pedagoga formada pela Faculdade de Educação da USP, com especialização em Educação de Crianças de zero a três anos pelo Instituto Singularidades; iniciou mestrado na FEUSP em 2018 e está pesquisando sobre o papel da educadora de bebês e crianças bem pequenas.

É sócia-diretora do espaço ekoa, escola que atende crianças de toda Educação Infantil (dos 0 aos 5 anos e onze meses). Além de acompanhar o trabalho das educadoras, atua em cursos de formação de professores desde 1995 e desde 2002 está voltada exclusivamente aos estudos desta faixa etária.




ColunistasAna Paula YazbekComportamentoDesenvolvimentoDestaquesDicasDiversosDiversãoEducaçãoBebêHome0 a 2 anos3 a 8 anos9 a 12 anosAdolescenteCriançaPrimeira InfânciaSaúde