Papo de Mãe
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Como lidar com a fase da birra?- Por Ana Flávia Andreoli*

Roberta Manreza Publicado em 01/08/2016, às 00h00 - Atualizado em 02/08/2016, às 10h42

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1 de agosto de 2016


Por Ana Flávia Andreoli*, pedagoga e consultora materna

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Birra, manha, escândalos em público. Muitas mães acabam até se acostumando com essas atitudes, mesmo sem saber por que acontecem ou como reagir.

O fato é que os Terrible Twos, que traduzindo significa Terríveis Dois Anos, conhecido também como adolescência do bebê, são comuns, mas não devem ser tratados com indiferença.

Acontecem entre um ano e meio e 3 anos da criança e coincidem com a fase em que a criança se descobre ser dissociável dos pais, com desejos e opiniões próprias e com um grande ímpeto em satisfazer as próprias vontades. Sendo assim, acaba tendo um comportamento opositivo ao dos pais e respondendo de maneira reativa quando é contrariada: bate, debate-se, chora e grita. Com isso, ela pretende impor-se, mas não tem maturidade para expor seus sentimentos e desejos.

Saber lidar com essa fase torna esse momento menos desgastante para a criança e para os pais.

Primeiramente, descarte tapas, beliscões ou palmadas. Gritar também não vai ajudar. A criança aprende por espelhamento. Se os pais agem dessa maneira, elas aprendem a reagir com violência e a disputa será infindável e destrutiva para todos.

Procurar entender o motivo da birra é o primeiro passo para lidar com a situação. Abaixar-se na mesma altura da criança e ouvi-la, demonstrar compreensão diante de sentimentos de frustração e ensiná-la a lidar com eles é fundamental. Comumente, entender o que elas desejam e ajudá-las a se expressar, contribui para que se acalmem.

Analise se o desejo é possível de ser atendido e atenda, se assim o for. Caso não seja admissível, explique porque não e ofereça outras possibilidades, até mesmo mudando o foco. Ofereça algo atraente para a criança, criativo e que a distraia, como giz, papel para colorir ou massinha.

Em público, se a birra persistir e houver constrangimento por parte dos pais, a melhor atitude é retirar a criança do ambiente, sem demonstrar irritação e sem conversar. Isso mostrará a sua reprovação. Ignorar a birra costuma funcionar também.

Existem situações em que não é possível negociar, principalmente quando pode oferecer algum risco à integridade física ou emocional da criança. Então, devemos agir de maneira acolhedora e aguentar o choro conseguinte. Mas não se preocupe, a despeito do estresse, em algum momento ela irá se acalmar.

Mas todos nós temos nossos limites. Se atingir o seu e começar a perder o controle da situação, respire fundo e afaste-se. Se necessário, peça ajuda. Mas nunca deixe de conversar com a criança depois, para que ela não se acostume com a falta de consequências para seus atos.

Estabelecer rotina e antecipar os acontecimentos, explicando e orientando como você espera que ela se comporte, o que ele pode ou não fazer, e as consequências para seu mau comportamento, também é um caminho necessário e eficiente.

Amor, carinho, paciência, compreensão, direção e conversas são as melhores ferramentas neste momento e transmitem segurança para os pequenos. Eles demandam mais atenção nesse período de transição de bebê para criança, portanto reconhecer essa necessidade e supri-la, oferecendo seu tempo e sua presença, é essencial.

Contribuir de modo positivo e construtivo para o desenvolvimento emocional e psicológico é papel possível para os pais e responsáveis.

O mais importante é que tenham sempre em mente que essa fase passa, portanto não se desesperem.

*Ana Flávia Andreli é pedagoga e consultora materna. Instagram: @100segredos_assessoriamaterna




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