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Comer Bem: projeto mostra como a escola pode estimular hábitos saudáveis

Projeto Comer Bem estimula a alimentação saudável na escola, dá dicas sobre como preparar a lancheira com um suco natural e inspira escolas a fazerem o mesmo

Redação Papo de Mãe Publicado em 07/09/2021, às 07h00 - Atualizado às 10h54

A alimentação saudável na infância ajuda a criança a manter a prática por toda a vida - Divulgação / Escola Castanheiras
A alimentação saudável na infância ajuda a criança a manter a prática por toda a vida - Divulgação / Escola Castanheiras

Os hábitos alimentares da infância são decisivos para que a criança cresça mantendo uma vida mais saudável. Muito se discute sobre o papel da família para que o costume de uma alimentação saudável seja estimulado, mas qual seria o papel da escola?

Foi pensando em promover a alimentação saudável infantil que um colégio da Grande São Paulo, a Escola Castanheiras, criou o "Comer Bem". O projeto, que ensina desde como fazer uma lancheira mais saudável até como a comida se relaciona com as disciplinas escolares, possui o objetivo de “melhorar a alimentação na escola, desenvolver a educação nutricional e apoiar e favorecer sistemas alimentares sustentáveis, criando um programa de educação focado na compreensão das relações entre comida, cultura, saúde e meio ambiente”.

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Parece uma tarefa difícil, mas ela é possível se a escola inteira se propõe a adotar práticas mais saudáveis. Na cantina do colégio, a margarina foi substituída pela manteiga, chocolate só é vendido se for orgânico, açúcar, só mascavo, os pães são caseiros e o molho de tomate é fabricado lá mesmo.

Denise Rodrigues Salles Figueiredo, nutricionista à frente do plano de alimentação da Escola Castanheiras, afirma que a importância de um projeto que visa a alimentação mais saudável tem a ver com o fato de a escola ter grande influência nas refeições das crianças, especialmente se as aulas acontecem em período integral.

O ambiente escolar pode ser um estímulo para a criança provar novos sabores, influenciada pelo consumo das outras crianças e pelas ações lúdicas desenvolvidas com os alimentos." (Denise Rodrigues Salles Figueiredo)

Experimentando uma vida mais saudável: as iniciativas do Comer Bem

Menina sorrindo com um prato de comida com arroz, feijão e salada
As crianças precisam experimentar alimentos novos – Foto: Divulgação / Escola Castanheiras

A neofobia alimentar, ou o medo de experimentar novos alimentos, é comum na infância, especialmente entre as crianças mais novas. O ambiente escolar, segundo o Comer Bem, "pode ser um estímulo para a criança provar novos sabores,
influenciada pelo consumo das outras crianças e pelas ações lúdicas desenvolvidas
com os alimentos".

De tempos em tempos, a nutricionista da escola e a Castanheiras trazem programas para acabar com esse medo: degustações para que os pequenos provem novos alimentos e rodas de conversa sobre "de onde vem a nossa comida" e "quais as relações entre a comida, a saúde e o meio ambiente", por exemplo.

Para entender também sobre a relação da comida com a vida, a escola criou projetos interdisciplinares que abrangem, até mesmo, as disciplinas de artes, educação física, inglês e espanhol. Aprender sobre valores nutricionais, a ler rótulos de embalagens e sobre a categoria dos alimentos pode ser uma iniciativa do ambiente escolar.

O incentivo à inclusão de alimentos orgânicos no dia a dia das crianças também está no Comer Bem. Toda semana, a escola promove a Feira Semanal de Orgânicos em parceria com um produtor familiar e os pequenos também aprendem a cuidar de uma horta com o objetivo de aprenderem a se conectar com a natureza e a produção de alimentos.

No entanto, Denise Figueiredo, lembra que, apesar de a escola gerar estímulos positivos, a formação dos hábitos alimentares é da família. "O papel dos pais não deve ser substituído pela escola, cada qual com sua responsabilidade e contribuição", afirma.

A preparação de uma lancheira adequada e saudável gera dúvidas para os pais e, por isso, o colégio criou a iniciativa Lancheira Castanheiras. Com ela, as crianças de 6 a 8 anos podem ter lancheiras preparadas pela própria escola e entregues em sala de aula. Para ensinar sobre a forma adequada de preparar o lanche do recreio, o colégio elaborou o Guia Comer Bem Castanheiras com algumas dicas. Confira abaixo as principais.

Como preparar uma lancheira saudável?

A Escola Castanheiras orienta que uma lancheira gostosa e saudável deve conter:

  • Um líquido: as opções podem ser água de coco, chá ou suco, de preferência, sem açúcar;
  • Uma fruta: para incentivar as crianças, é melhor optar pelas que podem ser consumidas com casca ou que a casca pode ser retirada facilmente, como banana, maçã, uva ou morango;
  • Uma proteína: aqui entra em cena um queijo, um requeijão ou um iogurte;
  • Um carboidrato: para gerar energia, um pão sírio ou integral, bolachas sem recheio e bolos caseiros são ótimas opções se estiverem equilibradas com os outros alimentos da lancheira.

Salgadinhos, refrigerantes, bebidas isotônicas, balas, bolos com cobertura, frituras e biscoitos recheados criam maus hábitos e devem ficar de fora de uma refeição equilibrada.

Essencial para a lancheira: como fazer um suco natural?

Imagem com um muffin, um suco de uva e melão cortado em cubos
Sucos prontos são cheios de açúcar e podem fazer mal à saúde – Foto: Divulgação / Escola Castanheiras

A escola também traz dicas para os pais que não têm tempo ou não sabem como fazer um suco natural para as lancheiras dos pequenos. A dica principal é colocar no freezer para que a bebida possa ser descongelada ao longo da semana. Congelar faz com que a fruta perca um pouco os nutrientes, mas, ainda assim, é melhor do que as versões já prontas e cheias de açúcar.

A orientação é que os pais optem por frutas que demoram mais para oxidar, como maracujá, acerola, manga e goiaba, e, para agradar aos pequenos, as mais doces: manga, melancia ou uva, por exemplo. 

O primeiro passo é bater a fruta com pouca água até ela chegar à consistência de uma papinha e, depois, colocar a mistura em forminhas de gelo no freezer. Para deixar pronto para a lancheira, basta encher uma garrafa térmica com água e acrescentar dois cubos da polpa. As polpas que já são vendidas congeladas, segundo a escola, também são uma opção.

Para adoçar, o ideal é evitar o açúcar refinado e optar por mel ou açúcar mascavo. A dica do Guia é que a combinação de frutas, como manga e abacaxi ou mamão e laranja, pode variar os sabores e nutrientes.

Levar hábitos saudáveis para a escola ou para casa pode ajudar a criança a aprender melhor. Por onde começar?

Pequenas mudanças e pontos de atenção podem fazer a diferença na saúde e no crescimento das crianças. Pensando em "capacitar os alunos a fazerem suas próprias escolhas e conexões entre alimento, cultura, saúde, questões sociais e meio ambiente", o Guia Comer Bem Castanheiras fala sobre a importância de alguns hábitos para a saúde e para o aprendizado dos pequenos.

1. Um bom café da manhã traz mais concentração

Segundo o Guia, a glicose consumida pela criança antes das aulas fortalece em 30% a consolidação de memórias. Caso ela não se alimente adequadamente, ela pode apresentar náusea, cansaço, fraqueza e, até mesmo, alterações de humor na escola.

É por esse motivo que um café da manhã adequado, com frutas, carboidrato, fibras, proteínas e vitaminas, pode fazer com que os alunos aprendam mais.

2. Acordar mais cedo ajuda a criança a se alimentar melhor

O Guia Comer Bem Castanheiras afirma que o sono consolida as memórias, traz um melhor funcionamento ao sistema imunológico e tem influência na atenção e na saciedade.

A faixa etária de 9 a 14 anos deve dormir cerca de 9 a 11 horas por noite. Além disso, acordar 15 minutos mais cedo ajuda a abrir o apetite e estimula que a criança coma melhor no café da manhã.

3. Tomar água aumenta a capacidade de memória

O corpo humano, em sua maior parte, é composto por água – cerca de 70%. Uma hidratação adequada pode contribuir para a atenção, a concentração e a memória. Por esse motivo, a garrafinha com água é importante.

4. Atividades físicas desenvolvem as habilidades psicomotoras

O desenvolvimento das atividades psicomotoras é essencial, principalmente para crianças mais novas. Melhorar a noção de espaço, o equilíbrio, a coordenação motora e os movimentos do corpo é possível com atividades físicas.

Além disso, as práticas de exercícios ajudam no fortalecimento dos ossos e das articulações. No campo da saúde mental, o Guia Comer Bem Castanheiras afirma que elas melhoram o fluxo de sangue para o cérebro e ajudam na capacidade de lidar com problemas e com o estresse.

Assista à entrevista do Papo de Mãe sobre a importância de inserir as crianças na cozinha:

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