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Chega de caderneta de poupança!

Quer fazer um pé de meia seguro para seu filho? Nada de poupança. Títulos públicos são uma boa opção!

Maria Fernanda Lopes* Publicado em 30/01/2022, às 06h00

Poupança é como cofrinho: não rende
Poupança é como cofrinho: não rende

Entre os investimentos da categoria de renda fixa, os títulos públicos são os mais conhecidos. Com uma média de 1,6 milhões de investidores, não é difícil perceber a sua popularidade. Mas é bom lembrar que ser popular não é sinônimo de que entendem sobre essa aplicação. Aliás, é bem provável que as pessoas até achem que o nome verdadeiro é Tesouro Direto, quando na verdade esse é o programa.

A fim de explicar um pouco melhor sobre essa e outras informações sobre esses títulos resolvi juntar tudo o que você precisa saber sobre esses ativos de renda fixa.

Os títulos públicos são papéis que representam as dívidas do Governo Federal. Eles são emitidos com o objetivo de arrecadar dinheiro para complementar os cofres públicos. Quando alguém investe, ou seja, compra um título, ele está ajudando o Governo a ter mais recursos para investir em projetos para melhorar o país. Esses títulos fazem parte do programa Tesouro Direto, desenvolvido em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a BM&F Bovespa.

São encontrados três tipos de títulos na plataforma. Pré fixados, pós fixados ou híbridos.

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Os tesouros pré-fixados são dois títulos: LTN e NTN-F. A principal característica desse tipo de ativo é que sua rentabilidade é determinada no início do investimento. Os juros são pagos em diferentes períodos, por exemplo, para o LTN é no prazo final, enquanto, para o NTN-F, é a cada seis meses se forem títulos com juros semestrais.

O pós-fixado é o título LTF, chamado também de Tesouro Selic. A rentabilidade desse investimento costuma ser variável, acompanhando a taxa básica de juros Selic diária. Graças a isso, não é possível saber qual será o seu valor até o vencimento. O que é possível saber é que o investidor sempre estará vinculado às movimentações de Selic feitas pelo Banco Central, se tornando assim uma aplicação conservadora.

Os híbridos são dois tipos NTN-B Principal e NTN-B. Esses ativos também são conhecidos como Tesouro IPCA+. Estão nessa modalidade porque sua rentabilidade acompanha duas taxas: uma fixa decidida na hora da aplicação e outra variável, que nesse caso é a IPCA. O pagamento pode ser apenas no vencimento (NTN-B Principal) ou por semestre (NTN-B).

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Vou explicar separadamente como cada um dos títulos oferecidos no programa funcionam

A Letra do Tesouro Nacional (LTN) é, como sabemos, um título pré-fixado. Na prática, supomos que a rentabilidade para ele seja 7% de juros ao ano com o vencimento para daqui a dois anos. Isso quer dizer que se o investidor esperar até o final do seu prazo, receberá ao próximo a 14,5% mais o valor que foi investido. Algumas considerações sobre esse título é que, por ser pré-fixado, a oscilação é uma característica comum. Visto que como o investidor deve esperar completar todo o prazo dos juros para receber a quantia esperada, até lá podem ocorrer diversas situações no mercado que afetam o valor. Aliás, quanto mais tempo de vencimento, mais chances de sofrer variações dos preços diariamente.

A LFT (Letra Financeira do Tesouro) ou Tesouro Selic faz parte dos representantes do pós-fixado. Como ele reflete o valor diário da taxa Selic, não é possível fazer a previsão de quanto ele renderá, por exemplo, daqui a um ano como acontece com a LTN. Curiosamente, esse título não apresenta oscilações muito altas como pode ocorrer com o anterior, justamente por acompanhar a taxa diariamente. O que é possível saber é que o investidor sempre estará vinculado às movimentações de Selic feitas pelo Banco Central, se tornando assim uma aplicação conservadora.

Já a NTN-B também conhecido como Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, faz parte da categoria híbrida. Sendo assim, o investidor tem o conhecimento dos juros pré-fixados na hora que começa a investir, porém, não sabe o quanto receberá ao certo de acordo com o IPCA. Desta forma, se a inflação acumular 30% entre o início da aplicação e o vencimento, o investidor adquire esse acúmulo + o valor dos juros já informado. Os juros, nesse caso, são pagos em dois momentos do ano, semestralmente.

A NTN-F último título oferecido também é conhecido como Tesouro Pré-fixado com Juros Semestrais. Aqui, o investidor sabe o quanto receberá até o vencimento, mas a diferença é que os juros são pagos duas vezes a cada seis meses..

Não é difícil começar a investir nos títulos públicos, o investidor precisa ter uma conta em algum Banco, pois ele será a responsável por intermediar a aplicação. Depois é só transferir o seu dinheiro para a conta da instituição financeira e esperar a liberação do login para acessar a plataforma do Tesouro Direto. Assim que confirmada, você pode escolher o título e efetuar a compra.

Outra forma de se investir em títulos públicos, caso você não queira se filiar ao Tesouro Direto, é por meio de Fundos de Renda Fixa. Essa é uma maneira indireta, já que é um fundo de investimento. Além dessa opção, também é possível comprar títulos direto da tesouraria dos bancos (mercado secundário). São compras isentas de taxas de administração e custódia, mas os preços não são exatamente aos do site do Tesouro Direto. É importante compará-los e entender qual a melhor opção naquele momento, sem deixar de contabilizar eventuais custos em cada opção de compra.

Se você pretende garantir toda a rentabilidade, o ideal é esperar o vencimento do título, porém, existem assessores de investimento que acompanham diariamente a oscilação dos preços, podendo observar oportunidades e variações de preços substancialmente positivas e capazes de gerar um grande lucro ao cliente em um curto espaço de tempo, o que chamamos de ágio.

Enfim, termino aqui meu post sobre os títulos públicos. Espero que tenha dado para perceber que esses ativos de renda fixa rendem bem mais que a poupança pois oferecem inclusive a possibilidade de aplicar na inflação.

Vamos então pensar no futuro dos pequenos e fazer mais do que um simples pezinho de meia para eles?

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Maria Fernanda Lopes

*Maria Fernanda Lopes, CFP ® é Agente Autônomo de Investimentos da One Investimentos/BTG Pactual. Está há 22 anos no mercado financeiro, mãe, esposa e filha. A One com Ela$ é uma assessoria especializada em mulheres que fornece as mais eficientes soluções financeiras, com a intermediação do BTG Pactual, buscando oportunidades, ampliando os horizontes e promovendo o crescimento mútuo.

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