Papo de Mãe
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Buscador desenvolvido para crianças, Kiddle é mais seguro, mas menos eficiente

Roberta Manreza Publicado em 30/03/2016, às 00h00 - Atualizado às 09h56

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30 de março de 2016


Por Bruna Ramos – Portal EBC

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Quem tem filhos pequenos que usam a tecnologia para brincar e se entreter, se assustam com as possibilidades infinitas que se abrem neste universo conectado. Uma simples busca por brincadeiras, jogos ou desenhos animados em grandes motores de busca, como o Google, Bing ou mesmo o Youtube, podem trazer uma quantidade relevante de conteúdos não adequados para crianças. Uma nova ferramenta, voltada para crianças que usam a internet, promete tranquilizar os pais. O Kiddle é um site de buscas que filtra os resultados de pesquisa, mostrando apenas conteúdos que sejam próprios para esse público. Visualmente e até no nome, a ferramenta parece um Google infantil, mas não está ligada à empresa norte-americana.

A ideia do Kiddle é manter as crianças em segurança e afastá-las de tópicos que possam ser considerados perigosos, motivo pelo qual bloqueia automaticamente determinadas palavras. Ainda pensando em agradar seu público, a maioria das buscas do Kiddle apresenta imagens grandes e fonte Arial, o que facilita a leitura e a filtragem dos resultados.

Para a especialista em Terapia Sistêmica Familiar Michelle Melhem, a ferramenta permite o acesso das crianças a uma tecnologia compatível à realidade infantil, sem tirar o caráter explorador em direção às informações e o conhecimento. “O Kiddle é o reconhecimento de que criança não é miniatura de adulto e, portanto, tem suas especificidades, que exigem uma adaptação às suas capacidades, maturidade, possibilidades e limitações”.

A cada pesquisa no buscador, os três primeiros resultados são de sites e páginas escritos especificamente para as crianças, selecionados e checados pelos editores do Kiddle. Os resultados de 4 a 7 não são escritos especificamente para os pequenos, mas têm conteúdo simples e de fácil compreensão. Também são conferidos pelos editores. A partir do oitavo link, aparecem páginas escritas para adultos, com uma linguagem mais difícil e filtradas pelo Google Safe Search. Apesar de ter a interface em inglês e apresentar parte do resultado das buscas na mesma língua, o serviço está disponível no Brasil, de forma gratuita.

Por ter sido lançado há pouco tempo, ainda tem se ajustado aos interesses dos usuários. Um exemplo disso foram as buscas por palavras como gay e LGBT, que a princípio eram consideradas inapropriadas, mas agora já são aceitas pelo buscador.

Por aqui, a novidade dificilmente substituirá as buscas no Google. Pelo menos, por enquanto. Sem o filtro para crianças, mas com mais resultados em português, o gigante encontra conteúdos mais certeiros. Foi o que percebeu Arthur Teixeira de Figueiredo, de 10 anos, ao testar o Kiddle pela primeira vez. “Em muitos casos, como em buscas de jogos, não aparecem os resultados mais óbvios, como o site do próprio jogo”, analisa.

Em uma busca por “Carrossel”, por exemplo, os três primeiros links sugeridos pelo Kiddle são a biografia de três personagens da novelinha infantil exibida pelo SBT. Em inglês. Já no Google, os resultados sugerem a página oficial da novela e vídeos com alguns capítulos do folhetim. Já em uma busca por imagens da Turma da Mônica, enquanto o Google encontra centenas de imagens, entre desenhos para colorir e tirinhas, o buscador infantil não traz nenhum resultado.

Montagem Carrossel

Creative Commons – CC BY 3.0. Montagem Carrossel. Reprodução/ Google e Kiddle

Ainda que o Kiddle venha a melhorar seu desempenho no Brasil e passe a ser mais utilizado pelas crianças, Michelle alerta que é fundamental a supervisão das crianças na internet. “Independente da ferramenta ser voltada para criança e ter filtro, os pais precisam monitorar o acesso dos filhos à internet. Primeiro porque demonstra para o filho interesse e atenção à sua vida, despertando o sentimento de valorização. Segundo porque todo movimento do filho oferece informações aos pais sobre o seu desenvolvimento, por meio dos seus gostos, seus interesses, suas dificuldades… E a partir disso, caberia a cada pai intervir naquilo que identificou, com estimulação, orientação e esclarecimentos”.

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