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A bebida como válvula de escape: IBGE aponta que mais de 60% dos jovens entre 13 e 17 já consomem álcool

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostraram que 6 em cada 10 adolescentes menores de idade já haviam experimentado álcool na pré-pandemia

Ana Beatriz Gonçalves* Publicado em 13/09/2021, às 07h42

Cerca de 63,3% dos estudantes de escolas públicas e particulares entre 13 e 17 anos já experimentaram bebida alcoólica
Cerca de 63,3% dos estudantes de escolas públicas e particulares entre 13 e 17 anos já experimentaram bebida alcoólica

No Brasil, a compra e o consumo de bebidas alcoólicas para jovens menores de 18 anos é proibido por lei. No entanto, dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, divulgados na últim semana pelo IBGE, mostram que o consumo de álcool entre o público de 13 a 17 anos, acontece (e muito).

Pelo menos 63,3% dos jovens estudantes de escolas públicas e particulares já experimentaram bebida alcoólica, e dos escolares que experimentaram, 47% revelaram ter tido episódios de embriaguez. A pesquisa também mostrou que mais de um terço dos escolares nessa faixa etária (34,6%) havia experimentado ao menos uma dose antes dos 14 anos.

Na análise da Dra. Mariana Thibes, coordenadora do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool), os números entregam fatores importantes a serem debatidos, especialmente quando se trata do diálogo entre filhos e pais, ou cuidadores.

"A gente sabe que a juventude é naturalmente uma fase em que os jovens buscam novas sensações, é uma fase de experimentações e busca por autonomia, e às vezes o álcool entra nesse pacote", comenta.

Seja pela novidade, vontade de fazer parte de um grupo ou apenas buscar uma forma de encarar os problemas da vida, o álcool ainda é visto por muitos jovens e adolescentes como um tipo de "cura" satisfatória e momentânea para as inseguranças, e na opinião da especialista, esse é o principal problema.  

O álcool não é um recurso pra lidar com dificuldades emocionais, e isso deve ser ensinado desde cedo. Ele não melhora nada. Beber nessa faixa etária (13-17) pode trazer problemas que vão perdurar na vida adulta, na performance escolar, e na vida social". 

alcoól entre os jovens

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Outro fator apontado na pesquisa do PeNSE 2019 foi a questão de pais que consomem bebida alcoólicas em casa. Mais da metade dos escolares de 13 a 17 anos (58,9%) responderam que o pai, a mãe ou ambos consumiam esse tipo de produto, sendo os percentuais maiores no Sul (62,4%), no Centro-Oeste (61,9%) e no Sudeste (61,5%).

Isso para a Dra. Mariana Thibes é algo que influência em 100% no comportamento dos jovens. "É um ponto importante, já que a prevenção começa em casa. Muitos pais chegam até a incentivar o consumo", revela.

Já um dado interessante que apareceu na pesquisa foi sobre as principais formas de obtenção de bebidas dos jovens. Em primeiro lugar estão as festas (29,2%), e em segundo, os mercados (26,8%). A especialista do CISA não se surpreende com os números.

"Infelizmente muitos estabelecimentos não pedem o documento pra comprovar idade. Em relação à lei que proíbe, acredito que a gente tem que entender que cada política pública tem um foco específico. No caso dessa, é o impedimento do acesso dos jovens a bebidas alcoólicas. No meu ponto de vista, a lei cumpre o papel dela. É absolutamente fundamental, mas para conseguir que os jovens adquiram essa conscientização a gente precisa fazer esse trabalho educativo", aponta Mariana Thibes.

Vamos dar um exemplo: a lei seca é o suficiente pra conscientizar os motoristas que não se pode beber quando vai dirigir? Ela sozinha consegue educar? Eu acredito que não".

Meu filho está bebendo, e agora?

Para a especialista existem dois caminhos essenciais para tratar a questão com os jovens, sendo eles: o acolhimento e a disciplina. "O diálogo é a grande ferramenta que os pais têm à disposição para tratar dessas e outras questões que envolvam seus filhos. Mas para criar essa ponte, você também precisa praticar duas outras coisas: acolhimento e disciplina. Alguns pais são acolhedores, mas não conseguem impor uma disciplina para os seus filhos. Outros são só disciplinadores, chegam a ser autoritários, e não fornecem acolhimento. Quando acontece um meio-termo, você segue um estilo ponderado que é muito interessante", indica.

Ainda segundo ela, o primeiro passo para conscientização é a comunicação, já que ela fornece a ponte do diálogo. "Os pais precisam se envolver nas rotinas dos filhos e  construir uma boa relação. Falar sobre os danos do consumo precoce, e incentivar comportamentos saudáveis são aspectos importantes", afirma.

Como é comum a inserção do jovem no mundo do álcool por aceitação, a relação próxima entre pai e filho, ou mãe e filho, é necessária para trazer mais entendimentos sobre autoconfiança. 

"O que os pais podem fazer é mostrar pros seus filhos que eles não precisam ceder às pressões sociais. Eles não precisam deixar de ser quem são para serem aceitos, ou mais "legais". Ter essa ponte de diálogo e aproximação é fundamental", finaliza Mariana Thibes.

*Ana Beatriz Gonçalves é jornalista e repórter do Papo de Mãe

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