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As incertezas da volta às aulas e do novo normal do Brasil

Dúvidas, incertezas, conflitos. Ainda vivemos uma pandemia e precisamos tomar decisões difíceis. A psicóloga Luciana Deutscher traz algumas reflexões sobre a situação das escolas e do ensino

Luciana Deutscher* Publicado em 08/02/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h07

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O mês de fevereiro está sendo marcado no Brasil pela volta às aulas. Algumas escolas particulares voltaram na primeira semana e as escolas públicas e municipais retornarão a partir de 18 de fevereiro em grande parte das cidades brasileiras. Junto com o retorno das aulas, vem a insegurança dos pais e dos professores em relação ao ano letivo.

Enquanto a vacinação não for em massa no país, as inseguranças irão existir. Grande parte das escolas oferece aos pais a possibilidade do ensino híbrido, em que os alunos revezam entre aulas presenciais e remotas. Uma das maiores dúvidas presentes nas famílias está em levar ou não o filho para a aula. Essa avaliação deve ser analisada individualmente, e de família por família, de acordo com a realidade vivenciada. Deve-se pontuar a convivência em casa, se existem pessoas do grupo de risco na mesma residência, se há dificuldades na assimilação do conteúdo pelo aluno de forma remota, e quais as dificuldades da criança e do adolescente.

O isolamento social imposto devido a pandemia não foi apenas difícil e traumatizante para os adultos e empresários, mas também para as crianças, que foram privadas do convívio social e da rotina que possuíam e, com isso, muitos estão emocionalmente afetados.

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O dia a dia das escolas em 2020, quando passaram a ser 100% remotas, estressou muitos pais, que indiretamente repassam essa carga emocional aos filhos. A mudança de rotina dos pais, o fato de não ir para escola, mas também não estar em férias e não ter o contato com os avós ou com as cuidadoras, mudou muito a cabecinha das crianças. Pensem que na rotina tinha a presença na escola em grande parte do dia, os pais chegavam tarde dos seus trabalhos e a convivência era em poucos horários. A partir de março de 2020, essa convivência passou a ser diária. Enquanto o pai ou mãe trabalhava, a criança assistia a aula – por vezes, no mesmo ambiente.

ensino em casa
Ensino remoto pode causar prejuízo para crianças

Avalio que o prejuízo maior do isolamento social esteve com as crianças pequenas, por conta do processo de sociabilização que ocorre nessa fase. Mas como também são muito adaptáveis às mudanças, as perdas são momentâneas na grande maioria delas. Aquelas famílias que souberam dialogar com os filhos, explicar a respeito da pandemia e o porquê das mudanças repentinas, tiveram um ganho emocional. Aquelas que ainda não tiveram esse diálogo, é preciso urgentemente se sentar, conversar e explicar, numa linguagem própria para idade, sobre esse momento vivenciado e que é coletivo e que pode mudar novamente.

Mesmo num melhor cenário em relação à imunização, ainda vamos conviver por muito tempo com distanciamento social e o uso de máscaras. A higienização se tornará hábito saudável para essa nova geração. O foco agora é ensinar as crianças e adolescentes que essa nova maneira de agir protege a si e ao outro. Do mesmo modo que ensinamos as crianças a irem no banheiro, a se vestirem, precisamos ensiná-los os cuidados básicos de proteção ao coronavírus. E, mais do que ensiná-los a usar máscara, é necessário explicar o porquê de ele não poder abraçar a professora, o colega e os avós.

Para o retorno às aulas, os pais devem avaliar as mediadas adotadas pelos colégios. Se optarem em voltar ao ensino presencial, devem disponibilizar toda a segurança possível à criança. Com os adolescentes, vale a conversa para saber se ele está seguro em retornar e se temos a condição de suporte do ensino remoto, não apenas pela escola, como nas casas.

Particularmente vejo a questão conteúdo como o último a ser avaliado nesse momento. Precisamos verificar o emocional, não apenas o das crianças, mas também o dos pais e familiares. Existe o sofrimento pela falta de rotina? O conteúdo pode ser recuperado pela criança e pelo adolescente, mas as perdas e implicações psicológicas, emocionais e comportamentais exigem uma maior atenção e cuidado.

A pandemia veio nos ensinar e nos impor decisões que implicam diretamente sobre a nossa segurança e bem-estar. As incertezas vão perdurar por um tempo ainda, mas vamos, daqui a um tempo, avaliar o que aprendemos junto a um momento totalmente desconhecido e imprevisível. É notório que precisamos nos cuidar, que é necessário o isolamento social, que é importante as medidas sanitárias.

As crianças são reflexos do que vivem em casa. Adaptabilidade é a palavra-chave desse ano também. Vamos voltando a uma normalidade e vamos precisar adaptar a rotina dos nossos filhos. Os sacrifícios serão de todos os lados: idosos, adultos, crianças. É o momento de focar na educação coletiva e já passamos da hora de entender a esse respeito.

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* Luciana Deutscher, psicóloga, com ampla experiência na área clínica e em consultoria organizacional. Também possui formação em análise de perfil comportamental e na metodologia coaching pela SLAC foi o que instigou a estudar ainda mais com objetivo de trazer para dentro do atendimento psicoterápico essa visão do desenvolvimento pessoal, da importância do estabelecimento de metas e objetivos também para a saúde mental e emocional do ser humano.
Hoje, atende adolescentes e adultos, trazendo a ciência da Psicologia Positiva para os atendimentos em consultório em todos os seus modelos, com o objetivo de além de identificar, tratar e buscar a cura para doenças e reduzir sintomas, possa também fortalecer o que está bom, cultivar dentro do processo terapêutico as forças internas, habilidades, potencialidades e emoções, buscando significado e propósito, abordando a experiência humana pelo foco positivo.

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