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Após polêmica, Azul muda posicionamento sobre conduta com autistas em voos

Taise Pereira foi expulsa de um voo com o filho Bernardo, de apenas 3 anos, que é autista. Na sexta-feira, a companhia havia declarado que a mãe não tinha laudo médico

Redação Papo de Mãe* Publicado em 23/05/2021, às 14h45

Azul volta atrás e reconhece erro de conduta com mãe de menino autista
Azul volta atrás e reconhece erro de conduta com mãe de menino autista

Na última sexta-feira, 21 de maio, o Papo de Mãe noticiou o relato de um mãe, Taise Pereira, que foi impedida de seguir com voo na companhia áera Azul. Ela e seu filho, Bernardo, de 3 anos, foram expulsos do avião pois o menino, que é autista, não usava máscaras de proteção contra a Covid-19. 

Na primeira nota, a empresa afirmou que estava cumprindo a legislação da Anvisa que desobriga clientes com transtorno do espectro autista a usar proteção facial a bordo, mas argumentou que Taise não apresentou um atestado da criança, diferentemente do que ela contou ao Papo de Mãe, de que havia apresentado sim o atestado.

Neste sábado, a Azul voltou atrás em relação ao caso e declarou um novo posicionamento reconhecendo o erro de conduta dos tripulantes. Confira a declaração na íntegra:

"A Azul reconhece que houve um erro no tratamento à família no fato em questão e, para evitar que isso aconteça novamente, mudou seu protocolo interno e está orientando e treinando seus Tripulantes para permitirem o uso facultativo da máscara por pessoas autistas mesmo sem a apresentação do laudo comprobatório, que hoje é exigido pela lei federal 14019/2020. A companhia ressalta, ainda, que está em contato com a família para prestar toda assistência necessária."

Taise e Bernardo
Taise Pereira com o filho Bernardo. (Foto: Arquivo Pessoal)

RELEMBRE O CASO

Taise Pereira, de 29 anos, foi impedida de embarcar em um voo de Recife (PE) para o Rio de Janeiro (RJ), no último dia 16 de maio. O motivo da expulsão foi porque seu filho, Bernardo, de 3 anos, não usava máscara facial de proteção contra a Covid-19. Segundo ela, apesar de apresentar o laudo médico em que explicava que o pequeno era autista, não teve jeito. Taise e Bernardo tiveram que deixar a aeronave, que estava prestes a decolar, por pressão da equipe da companhia aérea Azul e da Polícia Federal.

Em entrevista ao portal, a mãe contou emocionada como se sentiu na ocasião. Segundo ela, "nada vai apagar a humilhação e o constrangimento". "Eu não sabia o que fazer. Estava em uma cidade desconhecida com o meu filho de 3 anos. Não adiantou de nada apresentar o laudo. Ninguém me ouviu, a vontade que eu tinha era de gritar", relembra a mãe, emocionada. Três dias antes do ocorrido, Taise e o filho embarcaram para Campina Grande (PB), onde a família da supervisora mora. A visita teve um motivo especial: o aniversário de 100 anos de sua avó.

Conforme a Lei federal (14019/2020), o uso de máscaras em espaços públicos e privados não é obrigatório para autistas, deficientes intelectuais, deficientes sensoriais ou outras deficiências que impeçam o uso adequado da proteção. No entanto, Taise afirma que isso não foi respeitado. 

Depois de ser obrigada a sair do voo, Taise precisou fazer uma declaração a mão comprovando a isenção do filho ao uso de máscara.  Ela teve o voo remarcado pela companhia, após alguns esforços, e ficou hospedada em um hotel também por conta da Azul. No entanto, para ela, isso não apaga o trauma que ficou da situação. 

"Dói muito. Eu como mãe estou destruída. Ainda não consegui dormir, comer. Fico lembrando toda hora. Meu filho sofreu discriminação. Onde está a lei nessas horas?", lamenta. Agora, ela vai entrar com um processo de danos morais contra a companhia aérea.

Para Clarissa Meyer, mãe do Caio, de 15 anos, autista, o descumprimento da lei que permite que pessoas com deficiência intelectual e deficiências sensoriais é preocupante.  "No caso dos autistas, é preciso considerar que eles se desorganizam facilmente, possuem hipersensibilidade sensorial e dificuldade de coordenação motora, o que pode prejudicar o uso da máscara da maneira correta, principalmente para os pequenos", afirma.
Em sua opinião, faltou sensibilidade, empatia e informação por parte da empresa aérea. "É preciso considerar que por trás desta cena lamentável, existiu todo um trabalho de uma mãe de preparação para este menino viajar que foi desperdiçado. Não é só chegar e entrar no avião. Muitas vezes, são semanas de planejamento. Quem conhece, sabe", completa.

Assista ao Papo de Mãe sobre autismo

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