Papo de Mãe
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Amamentação sem julgamentos e culpa. Você consegue imaginar?

Amamentação em debate: Relatos de artistas e influenciadoras digitais, palpites em grupos de apoio e a orientação de profissionais. Apesar de tantas opiniões, a decisão final será sempre da mãe

Dr.  Moises Chencinski* Publicado em 10/05/2021, às 00h00 - Atualizado às 11h42

Atriz e cantora norte-americana Ashley Tisdale, afirmou que a amamentação a fez se sentir "frustrada"
Atriz e cantora norte-americana Ashley Tisdale, afirmou que a amamentação a fez se sentir "frustrada"

Artistas, influenciadoras, nacionais e internacionais, são formadoras de opinião. E isso se reflete nos relatos de suas vidas particulares que se tornam públicos, motivando seus seguidores a pensarem da mesma forma.

Quando nos referimos à amamentação isso não é diferente. A questão é que, como em todos os temas pesquisados na internet, as experiências mais diversas estão agrupadas e são reflexos de suas vivências pessoais.

Katharine McPhee: Amamentar tem sido fácil até agora!

Katharine McPhee achou que amamentar seu filho foi “fácil” até agora e sabe como ela é “sortuda” porque ouviu que outras mulheres acharam isso “muito difícil”.

Katharine McPhee, atriz e cantora. “Fácil e sortuda”.

Anita Hassanandani fala sobre a importância da amamentação: “Vou alimentar o Aarav com leite materno enquanto puder”

Anita Hassanandani revela que quer amamentar o filho Aarav enquanto puder. Em seu último vídeo no Instagram, ela também destacou a importância do leite materno para a criança.

Anita Hassanandani, atriz. “Enquanto puder”.

Ashley Tisdale não está mais amamentando, e está tudo bem

“A coisa mais difícil para mim foi amamentar”, disse Tisdale. “Porque desde o início, ela não pegou. Então eu estava tentando usar um protetor de mamilo e ela estava ficando muito frustrada. E então fiquei frustrada porque ela estava frustrada. Então, eu senti que não tinha realmente aquela experiência que muitas pessoas têm com a amamentação. Emocionalmente, era difícil.”

Ashley Tisdale, atriz e cantora. “Frustrada e a filha também”.

E aí? Quem seguir? Quem está certa? Quem testou tudo o que podia? Quem já tinha tudo premeditado? Ah, mas também ela tinha todo o apoio de família e de babás e financeiro…

E esses “debates” são comuns nos grupos de mães, nas redes sociais gerando sempre “seguidores” e “haters” na mesma intensidade, chegando a ofensas e até a ameaças (por trás das telas).

Amamentação mexe com a alma de cada mãe. Cada mulher tem sua história familiar, sua própria história anterior, suas expectativas, seus medos, suas angústias, suas “certezas”, suas frustrações. E isso é vida. Isso é realidade. Sem maquiagem. Sem romance.

O bebê tão esperado será amado, independentemente de onde e como foi o parto, da forma que o leite vai ser oferecido, do tipo de alimentação (aleitamento materno exclusivo, misto, fórmulas) e outras coisas mais.

O apoio profissional médico na gestação, no parto e puerpério e depois do nascimento do bebê pode ser determinante nas decisões das mães.

Sim– cabe aos profissionais a “filtragem” das informações de forma científica e a transmissão da maneira mais clara possível.

Sim– a decisão será das mães, sempre e somente das mães. Assim como, a responsabilidade é das mães. E elas sabem disso. E não se importam com isso. Mas elas precisam da informação para sua tomada de decisão e de apoio.

O que elas não precisam é da famosa frase “Eu te disse”, nem da sua rede de apoio (ou será rede de agouro???) e muito menos dos profissionais de saúde.

Eu te disse” é julgamento puro e não traz soluções, só mais problemas. Posso lembrar de pelo menos 3 boas razões para evitar dizer:

Primeiro– porque o profissional já sabe que disse.

Segundo– porque a mãe sabe que ele disse.

Terceiro– porque “Eu te disse” não só não ajuda como cria uma culpa e, consequentemente, uma barreira difícil de ser quebrada nesse vínculo, e se torna mais um peso a ser carregado por essa mãe, já tão julgada em suas intenções e tão sofrida em sua realidade.

E até acredito que todas as opiniões (ou, pelo menos, a grande maioria) venham com boas intenções, com a proposta de ajudar, através das experiências pelas quais cada um de nós passou e “não tinha ninguém lá, ao lado”.

Para terminar. Quer mesmo ajudar?

Empatia– Habilidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa.

Escuta ativa – Conhece o texto Escutatória do Rubem Alves?
“…Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade:

A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor…

E, principalmente, sem julgamentos. Sem culpas.

*Dr.  Moises Chencinski , pediatra e homeopata.

Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (2016 / 2019 – 2019 / 2021).
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (2016 / 2019 – 2019 / 2021).
Autor dos livros HOMEOPATIA mais simples que parece, GERAR E NASCER um canto de amor e aconchego, É MAMÍFERO QUE FALA, NÉ? e Dicionário Amamentês-Português
Editor do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
Criador do Movimento Eu Apoio leite Materno.

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