Papo de Mãe
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Alimentos frescos X processados X ultraprocessados e a saúde infantil

Mariana Kotscho Publicado em 03/02/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h11

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3 de fevereiro de 2021


Você sabe diferenciar um alimento fresco de um alimento processado ou ultraprocessado? Como a ingestão de um ou outro pode interferir na nossa saúde e na qualidade de vida das nossas crianças? No final tem receita de pão de queijo.

Pão de queijo

Por Ariela Doctors*

Em quase todos os países existem Guias Alimentares contendo as diretrizes alimentares oficiais, formuladas em políticas de alimentação e nutrição, que visam promover a saúde, melhorar o estado nutricional da população e reduzir a prevalência de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT).

Aqui no Brasil, a primeira edição do Guia Alimentar para a População Brasileira foi em 2006 e continha diretrizes baseadas na pirâmide alimentar, que apresenta os grupos de alimentos basicamente divididos pelas “quantidades” de macro e/ou micro nutrientes. Porém, superestimar certos alimentos e seus nutrientes e, por outro lado, subestimar ou negligenciar o processamento industrial ao qual estes são submetidos é deixar de considerar a enorme diferença entre, por exemplo, um cereal integral e um cereal “matinal”, que é fabricado a partir de tecnologia exclusivamente industrial, como extrusão de farinha de milho, com grande quantidade de açúcares, corantes, conservantes entre outros aditivos alimentares. Então, se considerarmos a pirâmide alimentar, esses dois alimentos estariam juntos no grupo dos cereais e tubérculos! E isso não seria correto!

Alimentos ultraprocessados

Com isso, em novembro de 2014 foi publicada uma segunda edição do Guia Alimentar contendo uma nova classificação dos alimentos a partir do seu “grau de processamento”.
Assim, a nova edição passou a conter quatro grupos: alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários (descritos no Guia como grupo dos óleos, gorduras, sal e açúcares), alimentos processados e alimentos ultraprocessados.

Você sabe diferenciar os alimentos?

Os alimentos in natura ou frescos, são os que retiramos diretamente de plantas ou animais (folhas, frutos, ovos e leite) e que são consumidos sem ter sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza.
Os alimentos minimamente processados são alimentos frescos que foram limpos, removidas partes não comestíveis ou não desejadas, secos, embalados, pasteurizados, resfriados, congelados, fermentados ou que passaram por outros processos que não adicionam sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento original.

Os ingredientes culinários (sal, açúcar, óleos e gorduras) são aqueles utilizados para temperar e cozinhar alimentos.

Os alimentos processados são derivados do alimento original sendo produzidos com os alimentos in natura e ingredientes culinários.
Já os alimentos ultraprocessados são formulações industriais prontas para consumo e feitas inteira ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido, proteínas), derivadas de constituintes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amido modificado) ou sintetizadas em laboratório com base em matérias orgânicas como petróleo e carvão (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários tipos de aditivos usados para dotar os produtos de propriedades sensoriais atraentes), como por exemplo, refrigerantes, salsichas, bolachas recheadas entre outros (Brasil. Ministério da Saúde (MS). Guia Alimentar para a População Brasileira. 2a ed. Brasília: MS; 2014).

Qual a importância de sabermos reconhecer essa classificação dos alimentos?

Para a nossa saúde e bem estar e uma qualidade de vida melhor para nossas crianças, esse entendimento é imensamente necessário!

A Agência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicou, em 02/08/19, o estudo U​ ltra-processed foods, diet quality, and health using the NOVA classification system​ que foi organizado pelo Nupens/USP e r​eúne evidências científicas​ que faz associação entre doenças crônicas e o consumo de produtos comestíveis ultraprocessados. E aponta também que o risco não está no processamento e sim na alta quantidade de açúcares, sal e gorduras neste tipo de alimento, levando a obesidade e doenças crônicas não transmissíveis.

Portanto, além de conhecermos as diferenças entre os alimentos que nos são ofertados, devemos também pensar na necessidade de políticas públicas que obriguem a indústria alimentícia a rotular mais especificamente tais produtos, além de adotar impostos especiais como, por exemplo, a indústria do cigarro. E, por parte da indústria do marketing, é necessário restringir a publicidade ostensiva de produtos não saudáveis, principalmente para nossas crianças.

Enquanto essas mudanças não ocorrem no âmbito político…ficamos de boca aberta, mas apenas alimentos saudáveis!

E para manter os olhos bem abertos, indico esse Podcast chamado Prato Cheio no site O Joio e o Trigo, episódio 8 “A Indústria da Amolação Infantil”.

Uma maneira gostosa de explicar tudo isso para nossas filhas e filhos é cozinhar junto!

Aqui está mais uma deliciosa receita para vocês fazerem juntas e juntos, processando em casa, sem conter os aditivos da indústria, mas contendo muito amor!

Receita de Pão de Queijo

Ingredientes

●  1kg de polvilho azedo

●  1 copo de óleo de milho, canola ou girassol

●  3 copos de leite

●  3 ovos

●  500g de queijo parmesão ralado grossoComo preparar

Modo de fazer

  1. Ferva o leite (apenas 1 copo) e o óleo e escalde o polvilho, deixe esfriar;
  2. Acrescente os ovos e o queijo e acabe de amassar com os outros dois copos de leite morno (a massa deve ser mole);
  3. Molde os pães de queijo e coloque numa forma untada;
  4. Asse em forno pré-aquecido (180oC) até dourarem e bom apetite!

Dica: Você também pode congelar depois de modelar e assar quando der aquela fominha!

Utensílios

1 vasilha grande

1 copo medidor

1 pote pequeno

1 tábua ou prato grande

1 ralador

2 assadeiras grandes

Você pode acessar outras receitas no site Comida e Cultura.

*Ariela Doctors é chef, comunicadora e mãe

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