Papo de Mãe
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Alienação Parental: entrevista com Alan Minas, autor do documentário “A Morte Inventada”

pmadmin Publicado em 22/05/2012, às 00h00 - Atualizado em 21/10/2014, às 15h08

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22 de maio de 2012


Alan Minas é cineasta e já realizou sete curtas-metragens de autoria própria, além de co-produzir filmes de terceiros. Em 2009, ele aliou a um de seus trabalhos a própria experiência e lançou o documentário A Morte Inventada, no qual fala sobre a Síndrome da Alienação Parental (SAP). No filme, há relatos desde pais longe dos filhos, sofrendo por esta distância, até de filhos já adultos que foram alienados na infância e adolescência.  Para Alan, a “Alienação Parental é um ato covarde e cruel, pois é sutil; é realimentado no dia-a-dia, não deixa marcas. Daí a sua perversidade e terror. Seus efeitos são devastadores, se desdobram por toda a vida, podendo repercutir em padrões que se perpetuam à gerações futuras.” O Papo de Mãe conversou com Alan Minas para conhecer um pouco melhor deste trabalho. Confiram a entrevista!
Alan Minas

Papo de Mãe: Alan, de onde surgiu a ideia de fazer um documentário como  A morte inventada? Alguém da equipe passava por algum problema de alienação parental?

Alan Minas: O formato documentário sempre me seduziu, e diante da possibilidade de poder usar esse poderoso veículo para falar de um assunto tão grave, não hesitei. Na equipe, somente eu conhecia o assunto; apenas eu passava pelo processo de alienação, felizmente. Papo de Mãe: Qual era o seu objetivo com esse documentário?
Alan Minas: A minha intenção inicial era projetar o filme em faculdades. Pensava em informar estudantes, e futuros profissionais, sobre a existência da Alienação Parental; mostrar a eles que existe um tipo de violência contra a criança que ocorre a todo instante, dentro de casa; praticado, muitas das vezes, por um ente próximo, em quem o menor mais confia e ama.  Meu objetivo era simples: tentar minimizar o quadro caótico que imperava naquele momento, de quase completa desinformação e negligência dos profissionais envolvidos. Hoje, felizmente, o quadro mudou, já encontramos profissionais sérios, instrumentalizados, capazes de identificar e atuar de forma determinante em um processo de Alienação Parental.

Papo de Mãe: Como foi a busca por personagens? Se preocuparam em buscar somente pais e, depois, perceberam que ali também caberia dar voz aos filhos que sofreram alienação sem saber ou essa ideia já estava na cabeça de vocês desde o começo?
Alan Minas: Não foi fácil conseguir pessoas dispostas a falar. Em primeiro lugar porque os processos correm em segredo de justiça. Outra dificuldade era encontrar pessoas que quisessem falar abertamente sobre questões tão íntimas e pessoais. Desde o início da criação era claro para mim que os depoimentos de adultos que passaram pela Alienação Parental quando criança deveria ser a linha narrativa principal, que isso sustentaria o filme. Seus depoimentos são vitais, contundentes. Inquestionáveis. Os depoimentos dos pais também são importantes, mas garantem sua legitimidade nos discursos dos filhos.

Papo de Mãe:Como foi a divulgação do trabalho?
Alan Minas: Exibimos o filme em algumas salas de cinema, por um curto período de tempo. Em seguida, promovemos exibições em diversas capitais, seguidas de debates. Nessa fase, logo percebemos que o assunto atraía cada vez mais o interesse das pessoas. Não esperávamos que o filme tivesse a repercussão que teve. Atualmente, já perdemos o número de cidades em que ele já foi exibido; e nessa lista se pode incluir alguns países, como Estados Unidos, Portugal e Austrália. Muito rapidamente as pessoas vinham até nós pedindo para exibirem o filme em suas cidades, e promover debates. Se tornaram parceiras na divulgação do filme, sobretudo do assunto.Papo de Mãe: Vemos que vocês continuam divulgando o trabalho de vocês. Adotaram o tema ‘alienação parental’ como a luta de vocês também?
Alan Minas: Sim, esse é um assunto muito sério, que me afetou e me afeta profundamente. Preciso seguir ofertando minha contribuição para a discussão do tema. Papo de Mãe: No site de vocês há uma parte para depoimentos. Qual o propósito desse espaço?
Alan Minas: O espaço no site que é voltado para depoimentos é um lugar onde pessoas podem trocar experiências. Cada um escreve sua história, são pedaços de vidas. Acredito que esse movimento, de compartilhar com o outro a sua dor, é poderoso. Para quem doa e para quem lê. De alguma forma, quem passou por isso, reconhece ali mecanismos onde podem se reconhecer. É um instrumento que desempenha esse papel.

Papo de Mãe: E de que forma as pessoas podem assistir ao A Morte Inventada?
Alan Minas: O filme está disponível para locação e venda em diversas lojas; e também pelo site e e-mail. www.amorteinventada.com.br// amorteinventada@gmail.com

Trailer do documentário A Morte Inventada, do diretor Alan Minas:



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