Papo de Mãe
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» REFLEXÃO

A culpa é da mãe e quem tem culpa tem poder

A comemoração do dia das mães, no último domingo, trouxe reflexões sobre a maternagem e suas diferentes fases e intensidades

Ana Paula Yazbek* Publicado em 12/05/2021, às 00h00 - Atualizado às 10h44

A relação mãe e filho é intensa
A relação mãe e filho é intensa

Domingo, dia 09 de maio, foi dia das mães. Foi impossível passar pelas redes sociais sem ver fotos ou declarações emocionadas de filhos(as) para mães, ou de mães para seus(as) filhos(as).

Como disse um psicólogo em uma palestra que assisti há alguns anos: “As linhas da psicologia e psicanálise divergem em muitos pontos, mas TODAS concordam com uma coisa: A CULPA É DA MÃE!”. E ele completou: “lembrem-se que quem tem culpa tem PODER!”.

Pois é, a relação com a mãe é sempre muito intensa, mesmo que ela tenha morrido cedo, ou abandonado seu(a) filho(a). Sua presença ou sua ausência são sempre muito fortes.

Quando a gente é bebê, mãe é uma coisa meio mágica, é só chorar que ela aparece e já vai resolvendo nossos problemas: dá colo, troca fralda, alimenta, canta, embala…

Mal sabem os bebês das dúvidas que suas mães sentem. Dos medos de não conseguirem dar conta de tantas demandas. Do desejo de poderem ter segundos voltados somente para si!

Tem vezes que a magia é feita de um jeito meio torto, o leite vem antes da fome, o embalo chega quando o bebê quer ficar acordado, a mão que troca a fralda pode estar gelada, ou os gestos podem ser meio bruscos… Mas, no minuto seguinte tem uma troca de olhares, um sorriso… tem aquele cheiro de mãe que traz uma segurança inimaginável.

A maternagem na infância

Conforme o(a) filho(a) cresce, a mãe vai deixando a magia de lado e começa a ocupar outro lugar. Mantém a hierarquia, mas coloca novas exigências. Às vezes quer que o(a) filho(a) cresça, outras vezes o(a) trata como bem pequeno(a). Aí a gente aprende que mãe é uma pessoa um tanto contraditória!

Os anos vão passando, o(a) filho(a) cresce um pouco mais, sai de casa, constrói sua vida com “independência”, mas mantém-se sempre conectado(a). Algumas vezes às avessas, se afastando e preenchendo a distância com mágoas ou expectativas frustradas. Outras vezes, mantendo-se próximo(a), construindo novas formas de parcerias.

O tempo passa mais um pouco e aquela mulher que fazia tudo sozinha, precisa aprender novas formas de viver, de aceitar ajuda e novas presenças. A depender dos percursos compartilhados, haverá um novo encontro entre o(a) filho(a) e a mãe. A varinha de condão passa para outra mão. Uma mão que pode ter menos jeito para atender aos cuidados necessários.

Assim, com olhares ora ternos, ora chispantes, palavras doces ou desencontradas, cada mãe constrói sua história de maternagem, uma diferente para cada filho(a). E cada filho(a) cria para si uma forma de lidar com a própria mãe.

*Ana Paula Yazbek é pedagoga formada pela Faculdade de Educação da USP, com especialização em Educação de Crianças de zero a três anos pelo Instituto Singularidades; iniciou mestrado na FEUSP em 2018 e está pesquisando sobre o papel da educadora de bebês e crianças bem pequenas.

É sócia-diretora do espaço ekoa, escola que atende crianças de toda Educação Infantil (dos 0 aos 5 anos e onze meses). Além de acompanhar o trabalho das educadoras, atua em cursos de formação de professores desde 1995 e desde 2002 está voltada exclusivamente aos estudos desta faixa etária.

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