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6 dicas para começar a dar mesada para as crianças

Psicólogo e produtor de conteúdo sobre educação financeira explica valores da mesada, gastos e também como evitar o consumismo

Sabrina Legramandi* Publicado em 12/07/2021, às 17h18

Psicólogo dá 6 dicas para educar crianças e adolescentes financeiramente
Psicólogo dá 6 dicas para educar crianças e adolescentes financeiramente

Vivemos em uma sociedade em que, para realizar a maioria dos nossos sonhos e desejos, necessitamos de dinheiro. As crianças já nascem bombardeadas, a todo momento, por anúncios de brinquedos e celulares.

Muitos pais optam por incentivar a educação financeira desde cedo, mas sempre surge a dúvida: como estabelecer o valor da mesada? Como falar de dinheiro com as crianças? E, principalmente, como não criar filhos consumistas?

"Antes mesmo de falar sobre dinheiro com os filhos é preciso falar sobre sonhos”, explica Leonardo Ricieri Mantoani, psicólogo e produtor de conteúdo do programa de educação financeira Gênio das Finanças.

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Mantoani afirma que as pessoas tendem a tratar o dinheiro como algo ruim, prejudicial e ligado ao consumismo. Porém, a educação financeira serve para que as crianças aprendam a realizar seus sonhos e suprir suas necessidades no futuro.

“O mais importante não é o valor a ser recebido, mas, sim, ensinar o filho a lidar com o próprio dinheiro, desenvolvendo habilidades fundamentais para a construção de uma vida financeira mais próspera e saudável” (Leonardo Ricieri Mantoani)

Pensando nisso, o psicólogo deu seis dicas para começar a educar os seus filhos financeiramente desde cedo.

1. Converse sobre dinheiro de acordo com a faixa etária

Leonardo Mantoani afirma que, para ensinar sobre finanças, não é preciso conhecer profundamente conceitos como juros, taxas e impostos, mas sim que o dinheiro é uma troca. “O mais importante é fazer com que a criança entenda que, se quer comprar algo e realizar um sonho, precisa pagar por ele”, ele explica.

Para crianças pequenas, o psicólogo afirma que estímulos concretos são essenciais. Mostrar moedas e cédulas e ensinar que cada uma tem um valor diferente é uma boa forma de dar início à educação financeira.

“Dê exemplos que façam parte do cotidiano: um doce custa algumas moedas, enquanto um brinquedo precisa de algumas cédulas.” (Leonardo Ricieri Mantoani)

As crianças maiores devem ser estimuladas a administrar o seu próprio dinheiro. Incentivar compras de forma autônoma e alinhar os valores com as operações matemáticas que elas estão aprendendo na escola, por exemplo, faz com que elas comecem a aprender sobre poupança, custos e planejamento. “A cantina da escola é uma ótima oportunidade para isso”, diz Mantoani.

Em relação aos adolescentes, já se torna possível conversar sobre cartão de crédito, investimentos e orçamentos. Fazer com que eles lidem com as próprias finanças pode ensiná-los a planejar gastos com seus salários no futuro.

2. A mesada não deve ser obrigatória

Leonardo Mantoani afirma que dar mesada para as crianças é uma boa forma de educá-las financeiramente, mas não é a única. Para ele, é preciso conversar com a criança e, primeiro, descobrir se ela gostaria de receber o valor.

“Caso não deseje, não há problema, pois, mesmo assim, ele pode aprender a lidar com o dinheiro desenvolvendo hábitos financeiros saudáveis de diversas outras formas.” (Leonardo Ricieri Mantoani)

3. O valor deve focar nos gastos da criança e na realidade financeira da família

Caso a criança opte por receber a mesada, o valor deve ser estabelecido como um acordo e conforme o que a família pode oferecer. “O mais importante não é o valor a ser recebido, mas, sim, ensinar o filho a lidar com o próprio dinheiro”, afirma Mantoani.

O primeiro passo, segundo o psicólogo, é fazer um planejamento dos gastos, como o lanche da cantina, os passeios com os amigos ou os brinquedos. Porém, depois de estabelecida, a quantidade não deve variar.

“Mesada não é salário, pois a criança não terá que exercer um trabalho ou tarefa para recebê-la”, afirma Leonardo. Fazer da mesada uma forma de punir ou recompensar comportamentos não fará com que o objetivo de administrar o próprio dinheiro seja atingido.

4. Qual a melhor opção: semanada ou mesada?

O psicólogo explica que o formato também deve variar de acordo com a faixa etária da criança. Até os 10 anos, elas ainda não sabem se organizar a longo prazo e, por isso, o mais indicado é a semanada.

“Funciona assim: na segunda-feira, os pais entregam o valor estipulado que o filho gastará na semana.” (Leonardo Ricieri Mantoani)

A partir dos 11 anos, a mesada será capaz de simular o futuro salário, com o valor sendo entregue no começo do mês. Porém, nos primeiros três meses, a transição da semanada para a mesada pode ser complicada.

“Se a dificuldade persistir após esse tempo, é indicado retornar a prática da semanada até que a criança se torne mais experiente na organização financeira”, esclarece Mantoani.

No caso dos adolescentes, já é possível incluir maneiras diferentes de entregar o valor. “A abertura de uma conta corrente e/ou conta poupança em bancos são formatos que os prepararão para a vida adulta”, afirma.

5. Como devem ser os gastos?

Segundo Mantoani, é interessante que, logo quando a criança receba a mesada, ela separe os valores. “Em um pote, colocará o dinheiro destinado para a cantina, em outro para o lazer e em um terceiro para videogame”, ele exemplifica.

A outra metade, de acordo com Leonardo, deve ser poupada para a realização de desejos futuros. Para isso, é necessário que esse valor seja dividido em três cofrinhos: 50% para desejos de curto prazo (para serem realizados até 3 meses), 30% de médio prazo (até 6 meses) e 20% de longo prazo (acima de 6 meses).

O psicólogo afirma que, para que a criança realmente aprenda a poupar, é importantíssimo que os pais não pulem etapas e comprem o produto desejado antes que ela consiga juntar o dinheiro. “Se você a presentear, passará a mensagem de que é possível ganhar tudo facilmente sem dedicação e compromisso”, ele diz.

6. E como não criar crianças consumistas?

O tempo todo, as crianças são bombardeadas por anúncios de produtos novos e, hoje, são influenciados pelos amigos e pelos youtubers. Leonardo explica que o desejo excessivo por compras se relaciona também com aspectos psicológicos, como o imediatismo, a influência dos outros e a ostentação.

“Por exemplo: todos os colegas do seu filho compram o item da moda que virou “febre” na internet. Com isso, ele pensa que será excluído do grupo se não tiver tal item e se sente triste, desejando comprar de maneira imediatista. Se ele aprender que esse pensamento não é real e que a felicidade está além de um objeto material, ele terá maior consciência da sua decisão e poderá escolher não comprar.” (Leonardo Ricieri Mantoani)

Para ele, não viver uma vida consumista deve ser uma escolha também dos pais. Se uma criança não reconhece um consumo consciente e saudável, ela tende a replicar esse comportamento. “É preciso repensar nossos próprios hábitos financeiros para, então, ensinar nossos filhos”, Leonardo orienta.

*Sabrina Legramandi é repórter do Papo de Mãe

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