Papo de Mãe
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5 mitos e verdades sobre o tratamento do melasma

Manchas na pele: a dermatologista Valéria Campos fala sobre o melasma, uma das maiores causas de reclamação nos consultórios

Dra. Valéria Campos* Publicado em 25/05/2021, às 09h04

O melasma pode ocorrer em qualquer momento da gestação
O melasma pode ocorrer em qualquer momento da gestação

Não existe uma causa específica para o surgimento do melasma, mas já se sabe que a exposição prolongada ao sol sem a proteção adequada e o uso de anticoncepcionais estão entre os fatores que favorecem o surgimento das manchas. “Não tem uma definição única para a sua causa, além dos fatores citados existem outras causas já identificadas que podem levar ao melasma, como o uso de determinados medicamentos, disfunções  hormonais, predisposição genética, doenças no fígado e a gravidez”, explica a dermatologista Valéria Campos, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Ocorrências mais comuns

Uma das maiores causas de visita dos pacientes no consultório é a busca para o tratamento de melasma, "podemos dizer que é a terceira maior causa de reclamações", especialmente de mulheres. Segundo a Dra. Valéria Campos, as mulheres estão mais propensas ao desenvolvimento da doença do que os homens e mais ainda, as mulheres mais velhas. Pessoas com o tom da pele mais escuro também estão mais sujeitas a desenvolverem o melasma, porque possuem mais melanócitos, ou seja, mais melanina. "Outro fator importante é a questão genética. Por isso na anamenese procuramos saber se o paciente tem algum parente com melasma", explica.

durante a gravidez, o surgimento de manchas escuras na pele, principalmente na região do rosto, pode ocorrer em qualquer momento da gestação. Essas manchas são chamadas de cloasmas gravídicos ou melasmas, como são conhecidos. "O cloasma surge por causa das alterações hormonais e o seu tratamento precisa ser especial, por causa da gestação", explica Valéria que esclarece alguns mitos e verdades sobre a doença e que estão entre os assuntos com mais buscas no Google.

5 dúvidas sobre o melasma 

1- O óleo de Rosa Mosqueta ´funciona no tratamento do melasma? 

R: Não é a melhor opção no tratamento do melasma.

2- Remédio caseiro para melasma resolve?

R: Não existe nenhum remédio caseiro do mundo capaz de melhorar o melasma.

3- O que é melasma clear? 

R: É o nome comercial de um produto a base de ácido kójico e bioblanc, que é retirado das oliveiras, é um produto bom, não muito agressivo, não tem hidroquinona, mas tem outras opções para o melasma.

4- Flebon serve para melasma?

R: É um dos filtros solares orais, que é o picnogenol, uma substância extraída da casca dos pinheiros, no qual você utiliza para ajudar a proteger, não chega a substituir o filtro solar, mas é uma das opções boas. Eu tive a oportunidade de fazer um trabalho com ele e como método coadjuvante é muito bom.

5- Cisteamina resolve melasma? 

R: Não podemos falar em cura do melasma. A cisteamina resolve, é uma das opções, eu gosto e uso associado. A substância que tem mais evidência científica para clareamento, é a hidroquinona, mas a gente não gosta de deixar direto e então tem que alternar com outras substâncias, como é o caso do ácido kójico, arbutin e a cisteamina. Mas é uma opção sim que pode ser eficiente, deixamos na parte de peeling e associado ao laser

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Quando procurar um dermatologista 

O surgimento de qualquer mancha na pele, precisa ser observado e investigado. O paciente, ao perceber uma mancha, seja ela parecendo um melasma ou não, deve procurar um dermatologista e evitar a automedicação. "Muitas vezes essa mancha pode ter causas diversas e só o especialista irá fazer o diagnóstico adequado e determinar o tipo de tratamento ideal para cada caso, seja ela um melasma ou não", completa. 

Vale lembrar que o melasma não é cancerígeno, mas qualquer mancha deve ser vista como um sinal de alerta do corpo, pois possuem diversos significados. “Quando a pessoa vê que apareceu uma manchinha estranha no seu corpo, ela deve procurar o seu dermatologista e na consulta, dizer quando reparou a mancha, se ela aumentou ou diminuiu, mudou de forma ou não. É tentar passar o maior número de informação para o médico, para que ela possa definir com precisão o tratamento”, diz Valéria Campos. 



Tipos de melasma

A região mais comum para o surgimento do melasma, é o rosto, seja na região malar (maçãs do rosto); centro-facial (testa, bochechas, acima do lábio, nariz e queixo) e na mandíbula. O nmelasma é dividido em três tipos:

Melasma epidérmico: Quando há depósito aumentado de pigmento através da epiderme (camada mais superficial da pele).

Melasma dérmico: Caracterizado pelo depósito de melanina ao redor dos vasos superficiais e profundos.

Melasma misto: Quando se tem excesso de pigmento na epiderme e na derme.


Como é feito o diagnóstico do melasma

Os tipos mais comuns são os melasmas misto que podem ser identificados com exames sendo muito rara a necessidade de biópsia da pele. 

“Geralmente fazemos o diagnóstico de melasma pela aparência na pele dos pacientes, mas o exame com luz negra (lâmpada de wood) também é usado nesses casos, porque ele ajuda na precisão do diagnóstico,

Formas de Tratamento 

Primeiro fazer a prevenção se protegendo sempre dos raios solares. Quando necessários, os tratamentos variam de acordo com o tipo de melasma que o paciente tem. Ele pode ser feito por procedimentos para o clareamento e uso de medicamentos tópicos e/ou orais. 

É importante que qualquer pessoa use filtro solar com o fator (FPS) no mínimo 30, principalmente aqueles que têm melasma. Para ajudar na remoção das manchas, o paciente pode usar creme clareadores à base de hidroquinona, ácido glicólico, retinóico, arbutin, cisteamine, azelaico, entre outros. "O resultado pode levar cerca de dois meses para aparecer. Mas o paciente precisa saber que qualquer tratamento para o melasma precisa ser contínuo", explica Dra. Valeria antes de falar das tecnologias que são aplicadas no tratamento da doença:

Terapia transdérmica: uma técnica que auxilia na penetração de ativos e permite que produtos como ácidos, clareadores e antioxidantes alcancem a camada mais profunda da pele, levando ao clareamento da mancha.  

São realizadas de 4 a 6 sessões, com intervalos semanais ou quinzenais . A pele fica vermelha e sensível, sendo necessário o uso de proteção solar.

Laser fracionado não ablativo: indicado para a remoção de manchas, inclusive melasma, produz milhares de pequenas ilhas de tratamento no rosto do paciente. A grande vantagem é que esse efeito "fracionado" permite que a pele se recupere muito mais rapidamente do que se toda área tivesse sido tratada de uma só vez, como acontece nos tratamentos a laser mais comuns e nos peelings químicos e físicos. São realizadas de 4 a 6 sessões,com intervalos semanais ou quinzenais . A pele fica vermelha e sensível, sendo necessário o uso de proteção solar.

Laser fracionado ablativo: tratamento mais agressivo com laser de CO2 ou Erbium, na verdade são lasers com grande afinidade pela água, que no caso do melasma são usados em doses muito baixa para fazer mini-perfurações na pele e permitir a entrada de medicamentos clareadores, técnica chamada de drug delivery (entrega de substância com mais eficácia na pele). São realizadas de 4 a 6 sessões com intervalos semanais ou quinzenais . A pele fica vermelha e sensível, sendo necessário o uso de proteção solar.

 Laser Q-Switched e Picosegundos: são lasers inicialmente desenvolvidos para remoção de tatuagem, a diferença para os demais é que esse tipo de laser emite raios muito rápidos, o que possibilita lesar apenas as células sem lesar o tecido adjacente. Os lasers em picossegundos, por ser um laser ultrarrápido com pulsos em picossegundos, gera menos sessões, não produz calor, é mais segura e maior eficácia no tratamento. São realizadas 6 sessões com intervalos semanais.

*Dra. Valéria Campos é médica dermatologista pós graduada pela Harvard Medical School com passagem pelo Massachussets General Hospital.  É especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e autora de dois livros.

Site: Clínica Valéria Campos

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