Papo de Mãe
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5 atitudes para você criar uma nova história da sua vida

A colunista Mariana Wechsler fala das relações e dos hábitos que criamos e como mudanças transformam sua vida

Mariana Wechsler* Publicado em 18/03/2022, às 06h00

Você já parou para se olhar no espelho hoje?
Você já parou para se olhar no espelho hoje?

Eu tinha acabado de escovar os dentes, lavei o rosto e me olhei no espelho, não sei como é com você, mas costumo ter conversas comigo mesma que duram semanas. 

São conversas atravessadas pela vida e que atravessam os dias junto comigo. São conversas que mudam de rumo completamente, porque eu não sou a mesma do dia anterior. 

Mas nesse dia, eu estava sentindo que a vida estava boa. Estava com saúde, bem, mas me sentindo muito cansada.

Estava cansada de chegar no fim do dia e sentir que não fiz tudo que eu precisava, cansada de deixar as coisas que eu queria fazer para depois, cansada de me preocupar com coisas que eu sei que não deveria. As vezes me dá uma canseira, um cansaço de ser eu e de fazer os mesmos caminhos mentais.

Mas eu sei que vai passar. As vezes é isso que precisamos pensar: “vai passar“, talvez não seja rápido, talvez não seja absolutamente indolor, mas passa.

Você já teve aquele momento que sentiu que está faltando algo? 

Quando vai trabalhar acha que está deixando de cuidar da sua família? Quando fica em casa, se sente frustrada por não achar que é uma boa mãe, quando tenta voltar ao mercado de trabalho pensa que aquilo que antes fazia tanto sentido, hoje não faz mais

Jamais conheci uma mãe ou um pai, presente e ativo na vida de seus filhos, que não tivesse um amor enorme por eles, que não existisse dentro de si o sentimento em acertar na educação e de que os filhos se tornassem as pessoas mais felizes do mundo.

Somados a sobrecarga, fruto da sociedade e rotina em que vivemos, essa situação nos leva a sensação de que não temos tempo suficiente para fazer o que acreditamos que seja de fato importante.

Você já parou para pensar quanto você do amor que você sente por seu filho chega até ele?

Independente da sua resposta, tenho certeza de que eu ou você não seremos capazes de transmitir 100% do amor que sentimos em todos os momentos.

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Mas o que está no seu alcance, é a capacidade em ajustar a energia que você deposita em cada dia de acordo com a disponibilidade emocional. Isso significa olhar com atenção, se as suas atitudes estão alinhadas com as suas intenções reconhecendo suas limitações, sentimentos e necessidades.

Nós moramos no alto de um vale, chamamos de cantinho do céu, pois dependendo do dia as nuvens invadem nosso quintal e passam sob os nossos narizes. Certo dia, apesar da previsão indicar sol, o tempo amanheceu nublado, daquele que não dá vontade nem de tirar o pijama.

Uma das minhas crianças abriu uma revista e viu o anúncio de um brinquedo, ela chamou os irmãos e os olhos dos três brilharam.

Eles disseram: “Mamãe, você pode comprar esse brinquedo para nós?“

Eu olhei o preço do brinquedo e achei super caro.

As crianças não nascem sabendo o preço e o valor das coisas. 

Qualquer coisa que a gente compre, um lego, uma bicicleta, um videogame, , um carrinho, um jogo, uma boneca, tudo isso é caro. Mas a grande questão da vida está no valor que damos às coisas e não no dinheiro em si.

É caro porque para comprar aquilo que queremos, gastamos tempo. Tempo trabalhando, tempo fazendo escolhas para economizar, tempo ausente, tempo deixando a criança na escola para que a gente consiga trabalhar. Gastamos tempo acordando cedo e indo dormir tarde, tudo tem um preço, e pagamos caro.

As crianças não nascem sabendo o valor das coisas, elas aprendem no decorrer da vida e nós podemos ser responsáveis em ensiná-las. Não permita que somente a vida os ensine, tenha atenção nesse aspecto também. Especialmente porque a criança está aprendendo com você sobre o tempo das coisas, e o quanto você valoriza os momentos de presença.

Quando estamos ausentes, quando nos sentimos desconectados das nossas crianças, sem perceber, tentamos substituir  nossa presença (nosso tempo) com presentes, e consequentemente, educando as crianças que presente é mais importante que presença.

Quando a gente sai para trabalhar, quando a gente a arruma a casa, quando a gente fica no computador, quando o pai sai pela manhã e só retorna a noite, a gente diz que fazer aquilo é necessário porque precisamos ganhar dinheiro para pagar a escola, comprar comida, roupa, pra comprar presentes para as crianças. Dizemos que usamos o tempo daquela forma porque precisamos. 

Nesse discurso, em que dizemos que trocamos tempo por dinheiro ou por algo que precisamos, o que acaba sendo transmitido é que nosso tempo não está em fazer algo prazeroso, algo que você gosta. Esse tempo está sendo usado em uma coisa penosa, uma coisa necessária. E para aquele que você não dedicou aquele tempo, pode soar como estando em segundo plano. Além disso, você pode acabar ensinando que o tempo tem que ser gasto com algo negativo, que não faz bem. 

Se uma mosca cair no seu copo de suco, você joga fora a jarra inteira ou somente troca o copo? O mesmo é com o nosso tempo, se por alguma razão algum momento não foi bom para você, não desperdice o restante do seu tempo.  

Algumas ações podem te ajudar a olhar para isso e ainda transformar esse cuidado com o estar presente e aproveitar ao máximo o tempo que você tem em um hábito.

Comece anotando o que não está tão legal. O que te incomoda? E anote quais foram os gatilhos que te levaram a esse incômodo. 

As amizades influenciam nossos comportamentos e modificam nossos hábitos. Estar com pessoas que são alto-astral e que buscam ter uma vida saudável, repleta de autos-cuidados, ajuda-nos a cuidar de nós mesmas.

Preste atenção nos tipos de alimentos que está ingerindo e nos seus hábitos alimentares, como os horários, a quantidade e a qualidade da comida.

O exercício físico é um remédio. A prática regular funciona como um medicamento que cura as mais diversas doenças. Recentemente, a OMS lançou um plano de ação global em prol da atividade física.

Esteja presente no aqui e agora, nas suas ações corriqueiras do dia-a-dia. Esteja atento nos meus pensamentos, palavras e ações. Ao praticar a atenção plena você poderá saber como funciona a sua mente, você será capaz de desvendar o mapa dos seus hábitos.

Quando nos tornamos mais conscientes e emocionalmente saudáveis, afetamos positivamente a saúde mental e emocional da criança. A parentalidade vem de dentro para fora.

Por isso, no seu dia demonstre e fale que todas as suas escolhas, seus trabalhos, suas tarefas te deixa feliz, motivada e que te completa. Mesmo que naquele tempo você tenha ficado longe de quem você ama. Ao mesmo passo, valorize todo o momento que esteja junto de sua família. É assim que ensinamos as crianças a dar um valor precioso ao tempo.

Voltando a história. Naquele dia, eu tirei algumas páginas da revista e ali brincamos de fazer dobraduras, fizemos barcos, passarinhos, aviões, chapéus, e por muito tempo eles ficaram sem pedir um presente. Nesse momento, tenho certeza que eles entenderam que a presença era melhor do que o presente.

As crianças não nascem sabendo o valor das coisas, e muitos adultos demoram para aprender.

Criar filhos é sobre conduzir e ser conduzido. É sobre aprender novos passos e não ter medo de propor. É sobre respeitar e entender que também temos limites. É sobre desejar que o tempo vá devagar. É sobre cuidar de si para depois ser capaz de cuidar do outro. CUIDAR DE SI… Aprender a cuidar de nós mesmos é um caminho muito difícil.

Aproveite o tempo. 

mariana
Mariana Wechsler

*Mariana Wechsler, Educadora Parental, especialista em educação respeitosa, budista há mais de 34 anos e formada em Comunicação. Mãe de Lara, Anne e Gael. Escreve sobre parentalidade consciente, sobre os desafios da vida com pitadas de ensinamentos budistas e suas experiências morando fora do Brasil, longe de sua rede de apoio. Acredita que as mães precisam aprender a se cuidar e se abraçar, além de receberem apoio e carinho. Sempre diz: “Seja Fantástica! Seja sempre a sua melhor amiga”.

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