Papo de Mãe
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2021: Dez dicas para reorganizar a rotina alimentar das crianças

O que vimos foi um aumento importante do consumo de alimentos prontos ricos em sódio, açúcar e gorduras com redução

Roberta Manreza Publicado em 10/12/2020, às 00h00 - Atualizado em 17/12/2020, às 15h47

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10 de dezembro de 2020


Isolamento social na pandemia causou aumento da obesidade na infância e na adolescência.

Em março de 2020, quando foi decretado o isolamento como prevenção à infecção pelo coronavírus (COVID 19), as escolas foram fechadas e as crianças e adolescentes retornaram aos seus lares. O que não imaginávamos é que permaneceriam tantos meses em casa e o quanto isto poderia impactar na saúde.

Muitas destas crianças tinham sua alimentação sob responsabilidade da escola e agora as famílias precisavam de uma nova organização das rotinas para conciliar trabalho, casa, filhos e alimentação.

O que vimos foi um aumento importante do consumo de alimentos prontos ricos em sódio, açúcar e gorduras com redução. Na Itália, Pietrobelli et al.  acompanharam 41 crianças e adolescentes obesos durante três semanas de isolamento em Verona e não encontraram mudanças no consumo de vegetais, mas observaram aumento no consumo de frutas, batatas fritas, carne vermelha e bebidas açucaradas; o tempo gasto em atividades esportivas foi reduzido em duas horas e meia por semana e, em contraste, o período de sono aumentou em 0,65 h / dia; e os dados mais impactantes referem-se ao tempo de tela, que aumentou 4,85 h / dia.1,2

Em relação às situações relacionadas ao sedentarismo, como assistir TV ou jogar videogame, ocorreram mudanças relacionadas ao maior risco de obesidade, como alto consumo de fast food e bebidas açucaradas , além de distúrbios do sono.1 ,3 .Lembrando que os distúrbios de sono predispõem ao aumento de peso e sedentarismo.1,4. Criando assim um ciclo contínuo vicioso que favorece o ganho de peso.

Conviver com o estresse durante a pandemia de COVID-19, além de trazer riscos de deterioração da imunidade, pode trazer consequências para a saúde pediátrica, principalmente nas áreas nutricional e emocional.  Uma dessas consequências refere-se à piora da qualidade do sono, discutida acima. Além disso, o estresse aumenta o consumo de alimentos, ativa os centros de recompensa do cérebro que aumentam o interesse por alimentos altamente palatáveis ​​(açúcar, sal e lipídios), aumenta a instabilidade emocional e piora a qualidade de vida.  Devido ao tempo prolongado de isolamento social, outro aspecto demonstrado nos Estados Unidos foi a queda na adesão aos programas de imunização, devido ao medo de levar os filhos para vacinar1,5

Após meses de pandemia, algumas famílias ainda tentam administrar as suas rotinas.

Dicas para reorganizar o dia alimentar das crianças :

  • Divida o dia alimentar em: café da manhã/lanchinho/almoço/lanchinho/jantar/ceia e cole o esquema na porta da geladeira
  • Tenha um cardápio para os sete dias da semana, para que você possa programar as compras
  • Cozinhe em casa. Não precisamos de receitas “gourmetizadas”, podemos preparar pratos simples e saudáveis
  • Caso você não tenha muitas habilidades culinárias, inicie devagar, preparando ao menos uma refeição ao dia.
  • Prefira alimentos frescos. Se necessário já faça a compra de verduras higienizadas e cortadas
  • Substitua guloseimas por bolos caseiros e biscoitos integrais, pipoca e iogurtes
  • Prefira sucos de frutas naturais ou em polpa não adoçada, porém consuma pouco suco e muito mais água.
  • Beba água nos intervalos
  • Porcione o prato de maneira adequada : ¼ carboidratos,1/4 proteínas,2/4 hortaliças (legumes e folhas).
  • Façam as refeições em família.

Por Dra Renata Rodrigues Aniceto/CRM 88006

Pediatra da Liga da Cozinha Afetiva

Membro do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria

Assista ao vídeo que a Dra. Renata mandou especialmente para o Papo de Mãe. 

Bibliografia:

1.Carlos Alberto Nogueira‐de‐Almeida, Luiz A. Del Ciampo, Ivan S. Ferraz, Ieda R.L. Del Ciampo, Andrea A. Contini, Fábio da V. Ued.COVID‐19 and obesity in childhood and adolescence: a clinical review.Jornal de Pediatria (Versão em Português), Volume 96, Issue 5, September–October 2020, Pages 546-558

2.A. Pietrobelli, L. Pecoraro, A. Ferruzzi, M. Heo, M. Faith, T. Zoller, et al.Effects of COVID-19 lockdown on lifestyle behaviors in children with obesity living in Verona, Italy: a longitudinal study.Obesity (Silver Spring)., 28 (2020), pp. 1382-1385

  1. E.L. Kenney, S.L. GortmakerUnited States adolescents’ television, computer, videogame, smartphone, and tablet use: associations with sugary drinks, sleep, physical activity, and obesity.J Pediatr., 182 (2017), pp. 144-149

  1. A.M. Abbas, S.K. Fathy, A.T. Fawzy, A.S. Salem, M.S. ShawkyThe mutual effects of COVID-19 and obesity.Obes Med., 19 (2020), Article 100250

5.J.M. Santoli, M.C. Lindley, M.B. DeSilva, E.O. Kharbanda, M.F. Daley, L. Galloway, et al.Effects of the COVID-19 pandemic on routine pediatric vaccine ordering and administration – United States, 2020.MMWR Morb Mortal Wkly Rep., 69 (2020), pp. 591-593




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