Papo de Mãe
Papo de Mãe

Mãe, até quando erra, acerta.

Roberta Manreza Publicado em 09/11/2016, às 00h00 - Atualizado em 15/11/2016, às 11h18

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9 de novembro de 2016


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Por Joyce Moysés*, jornalista, escritora e palestrante de temas femininos

Ser mãe possível é bem melhor

Já ouviu essa máxima? Pois ela cai bem no dia de hoje, quando o maior presente é aliviar a mania de perfeição e curtir ao máximo com os filhos. Sou jornalista e me lembro de ter entrevistado uma atleta que treina bastante para vencer campeonatos, mas é no papel de mãe que ela mais busca a medalha da perfeição.

Nos mínimos detalhes. Entra e sai do quarto um milhão de vezes para checar a temperatura do ar condicionado. Pesquisa a época certa para dar vacina e quando lê depois na internet que tem reação… liga a jato para a pediatra. Seus dilemas continuam: deixa o filho brincar até a hora que quiser ou coloca limites, para que ele saiba que precisa dormir cedo? Libera os presentes ou controla um pouco para não criar crianças consumistas?

Essa atleta tenta conciliar preocupações de mãe com carreira, marido, casa – sem se abandonar como mulher. Busca um equilíbrio, para não perder a espontaneidade. Filhos são os maiores prêmios que ganhou da vida. Ao mesmo tempo em que sente angústia, tem que se acalmar e pensar nos ganhos. Os dois estão crescendo num ambiente ligado ao esporte, à saúde, com exemplos de superação. E exemplos são a melhor forma de passar valores.

Muitas mães acreditam que essa vontade de acertar seja inerente à mulher. Entretanto, percebo em tantas entrevistadas que já não querem controlar tudo. Fala-se muito hoje da “mãe possível”, que é humana. Com tanta correria para trabalhar e também dar conta de filho, surge a pergunta: até que ponto abrir mão de um para estar com o outro? Eu sou da opinião de que é possível integrar os dois – desde que ela não se cobre perfeição.

A mulher que tem filhos ainda tem que lidar com quem fica por perto para dar palpites e criticar: “ah, você trabalha muito”, “fica pouco tempo em casa”… Nas palestras que eu faço pelo Brasil e nos livros que escrevo, procuro incentivar que é a sua consciência de estar fazendo o seu melhor é o que vale. Afinal, ninguém nunca vai atingir 100% das expectativas dos outros. Porque eu faço diferente de boa parte das mães, elas estão certas e eu, errada? Não mesmo.

Ainda somos pressionadas por um “modelo” de perfeição, e não apenas veiculado pela mídia. Vemos “competição interna” entre amigas e familiares. Isso vem da necessidade de mostrar ao outro quanto somos fantásticas e multitarefas, pintando o mundo como se ele fosse rosa. Já me senti incomodada com gente querendo dizer o que eu deveria fazer. É por isso que o programa Papo de Mãe faz sucesso há sete anos. Mostra o lado real, com dores e angústias, e não só as delícias.

A gente dá um jeito de integrar as coisas. Acredito que mulher traz um modelo pré-estabelecido em seu background, que ela adapta de acordo com as experiências que teve como filha. O problema é quando encara a maternidade só para atender a uma expectativa social de cumprir seu “dever” de procriar. A sociedade evoluiu.

Maternidade é instinto, maternagem é aprendizado, escolha. Cuidar, amar, proteger, doar, ensinar é uma decisão de dedicação por amor. No nascimento biológico ocorre a separação física com o bebê. Mas a ligação afetiva e íntima entre os dois é o que legitimará a filiação para toda a vida. Tenho um filho de 16 anos e invisto nisso.

Para mães por opção, como eu, um universo feminino se abre a partir da descoberta da gestação. Tudo se transforma (corpo, pensamento, sensações). Cada dia é uma nova descoberta sobre si mesma e a sua natureza. Viver essa experiência em cada detalhe traz a força necessária para qualquer insegurança que surgir.

O exercício da maternagem é de tentativa e erro. Que tal praticarmos a máxima “fazendo com amor, no fim vai dar certo”? Para mães ansiosas para acertar, meu último recado é… relaxar um pouco. Deixamos de aproveitar momentos únicos com os filhos quando não somos capazes de rir de nós mesmas.

*Joyce Moysés é jornalista focada em comportamento, carreira e negócios há 28 anos. Também escritora, ghost writer, palestrante e consultora de temas femininos. Foi editora-chefe das revistas Claudia e Nova/Cosmopolitan. Escreveu os livros “Mulheres de sucesso querem poder… amar” e o recém-lançado “Mulheres modernas, dilemas modernos e como os homens podem participar (de verdade)”. Tem especialização em Gestão de Negócios e é diretora da 1ª Edição Setorial (www.edicaosetorial.com.br), que produz estudos sobre setores e empresas. contato: joycepalestra@gmail.com.

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