Papo de Mãe
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1 em cada 7 partos no Brasil a mãe é uma adolescente

Não há como negar que a informação ainda não atinge adequadamente os adolescentes e temas como sexualidade, contracepção não são abordados de forma eficaz na prevenção da gravidez.

Roberta Manreza Publicado em 01/02/2021, às 00h00 - Atualizado às 19h58

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1 de fevereiro de 2021


Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência: O que acontece em nosso país? 

Por Dr.  Moises Chencinski, 

A adolescência é uma fase da vida de todo ser humano, caracterizada por transformações importantes em todos os campos. Sua própria definição tem visões multifacetadas e abordagens em campos distintos que compõem um cenário desconhecido pela maioria das pessoas e até dos profissionais de saúde.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) caracteriza o adolescente como a pessoa entre 12 e 18 anos incompletos. Em uma análise clínica e de desenvolvimento orgânico, a caracterização pode ser dividida em duas faixas etárias: de 10 a 14 anos- pré-adolescência e de de 15 a 19 anos adolescência.

Mesmo não sendo adequado limitar esse conceito apenas nessas duas abordagens, para fins do tema dessa semana, já temos uma boa base para analisar os fatos e as necessidade de pessoas nessas faixas etárias

Dados sobre a população brasileira podem ser obtidos no site do IBGE. População às 13:50 de 01/02/2021, o Brasil contava com 212.644.478 de habitantes.

Segundo dados do SIDRA (Sistema IBGE de Recuperação Automática), em 2019, 2.812.030 nascidos vivos foram registrados no Brasil, entre os quais 366.058 com mães de idade entre 15 e 19 anos (conforme distribuição abaixo), correspondendo a 13% de todos os partos no Brasil (1 em cada 7 partos).

15 – 32.368

16 – 55.865

17 – 77.620

18 – 97.795

19 – 119.567

Ainda a se considerar a taxa de 16.707 nascimentos registrados em mães menores de 15 anos de idade no mesmo período pesquisado.

De 1 a 8 de fevereiro, acontece no Brasil a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, instituída pela Lei nº 13.798/2.019, para conscientização, prevenção e redução dessas taxas no Brasil.

Entre as principais consequências desses índices, vale ressaltar os reflexos da gestação nessa faixa no que diz respeito à alta incidência de interrupção da vida escolar, vivência social não esperada, maior vulnerabilidade, ainda mais em famílias de baixa renda.

Clinicamente, são observadas aumento do número de partos prematuros, bebês de baixo peso e de mortes perinatais (50% a mais quando comparadas com as mães entre 20 a 29 anos). Além disso, ocorre redução das taxas de aleitamento materno.

Isso sem contar que existem adolescentes com mais de um filho em intervalos de gestação que, segundo estudos, variam de 1 a 12 meses e até 5 anos seguintes ao primeiro parto. Isso ocorre em uma frequência de quase 30% no Brasil (16 a 21% em estudos norte-americanos).

Não há como negar que a informação ainda não atinge adequadamente os adolescentes e temas como sexualidade, contracepção não são abordados de forma eficaz na prevenção da gravidez.

A dificuldade de acesso ao sistema de saúde, associada às consequências sociais e de dinâmicas familiares dessa situação, trazem um panorama desafiador a todos os profissionais de saúde e às políticas púbicas que buscam atuar sobre essas estatísticas.

Assim, uma política pública direcionada a esse grupo de meninas adolescentes, com educação sexual nas escolas e uma assistência ginecológica mais ampla e acessível, antes da iniciação da vida sexual ativa, orientações sobre contracepção eficazes e planejamento familiar são ferramentas fundamentais para se conscientizar essa população.

A orientação, capacitação e sensibilização de profissionais de saúde no atendimento a essas adolescentes, de forma individual ou em grupos, com assistência e informação irrestritas são desejadas para que esse panorama possa ser modificado de forma sustentável e progressiva.

*Dr.  Moises Chencinski , pediatra e homeopata.

Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (2016 / 2019 – 2019 / 2021).
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (2016 / 2019 – 2019 / 2021).
Autor dos livros HOMEOPATIA mais simples que parece, GERAR E NASCER um canto de amor e aconchego, É MAMÍFERO QUE FALA, NÉ? e Dicionário Amamentês-Português
Editor do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
Criador do Movimento Eu Apoio leite Materno.

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