Papo de Mãe
Papo de Mãe

08 de março: nossa história, nosso lugar de fala

Mariana Kotscho Publicado em 08/03/2021, às 00h00 - Atualizado às 20h26

None
8 de março de 2021


Um texto da professora Regina Célia Barbosa, vic-presidente do Instituto Maria da Penha, em homenagem a todas as mulheres.

Por Regina Célia Barbosa*

“Quem traz no corpo a marca de ser mulher possui a estranha mania de ter fé na vida”

(Inspirada na música Maria Maria, de Milton Nascimento)

Neste dia 08 de março, a nossa história, a história das mulheres é marcada pelas lutas incontáveis e incansáveis e pelas conquistas memoráveis e determinantes para toda a humanidade.

São muitas guerreiras, são muitas vitoriosas, são muitas filhas, são muitas mães, avós, jovens… são muitas mulheres.

Decapitadas, mutiladas, queimadas, perseguidas, caluniadas, discriminadas, emparedadas, empurradas, esbofeteadas, esfaqueadas, encarceradas, emudecidas…as tentativas, as ameaças, as vias de fato são inúmeras…

Mas, sobrevivemos….

Amaldiçoam os nossos sonhos.

Mas, sobrevivemos…

Tentam anular, esconder, apagar as nossas conquistas se somos pretas, brancas, indígenas, loiras, estrangeiras, centro-oestinas, nordestinas, sudestinas, nortistas, sulistas, brasileiras.

Mas, sobrevivemos…

A cada mulher que tomba,

100 renascem. Por justiça, respeito, direitos, reconhecimento. Na luta contra a impunidade, a indiferença, a intolerância.

Divas, Patrícias, Anas, Camilas, Sandras, Walkírias, Karines, Carinas, Angelas, Gleides, Cláudias, Tuanys, Anabeus, Raqueis, Fabianas, Siméas, Denises, Janainas, Cristinas, Célias, Joanas, Deyses, Lias, Luanys, Laras, Nadiedjas, Geraldinas, Karlas, Helenices, Lucianas, Lilians, Ednas, Maristelas, Manuelas, Marianas, Mirelas, Lisas, Elisas, Márcias, Vanessas, Ruths, Alciones, Alines, Saras, Gracieles, Rosários, Lauras, Rogérias, Beatrizes, Isabéis, Robertas, Éricas, Julianas, Marias, Penhas…

Por isso nós sobrevivemos!

Esse é o nosso lugar de fala: sobreviver.

Seja na história, na política, na transformação permanente.

Nós sobrevivemos

“Porque é preciso ter garra,

é preciso ter sonho sempre.

Pois quem traz no corpo a marca de ser mulher

possui estranhas manias:

De lutar, de vencer, viver e continuar

*Regina Célia Barbosa é professora e vice-presidente do Instituto Maria da Penha

Veja também

Na semana do dia internacional da mulher, a Universidade de Princeton (EUA) homenageia Marielle Franco

Sindicato das mães: o que você acha desta ideia?

Feminismo, antirracismo e educação: uma entrevista com Luana Tolentino




ColunistasDestaquesDireitos da mulherHomeViolência doméstica