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11/04/2021

Amamentação deve ser mantida em caso de contaminação da mãe por Covid-19 ?

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Esta é uma dúvida de muitas mulheres: a mãe contaminada com Covid-19 pode continuar amamentando?
Por Virginia Ferreira*

Entre tantos avanços científicos desde a chegada do novo coronavírus ao Brasil, um estudo divulgado recentemente na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil reuniu as principais recomendações e desafios enfrentados pelas mães durante períodos pandêmicos. Uma das principais recomendações é  a manutenção da amamentação nos casos em que a mãe está positivada para a Covid-19.

Mães com Covid-19 podem amamentar, seguindo protocolos de segurança

Para chegar a essa orientação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou vários estudos realizados em todo o mundo que comprovam os benefícios do aleitamento materno e a insignificante transmissibilidade de vírus respiratório por meio do processo.

Medidas preventivas necessárias

Contudo, para evitar que o bebê seja infectado, todas as medidas higiênicas preestabelecidas – uso de máscaras, higienização das mãos com água e sabão, higienização das mamas – devem ser seguidas, incluindo a desinfecção rotineira das superfícies em que a mãe entrou em contato.

Essa orientação, entretanto, deve ser seguida por todas as mães que estão assintomáticas ou com sintomas leves, sendo que nos casos de mães doentes e que se sintam limitadas para amamentar, o leite pode ser extraído, armazenado e ofertado ao bebê com a ajuda de alguém que esteja auxiliando nesse momento.

Nessas situações, também é preciso ter atenção com a mudança na rotina que, se não gerenciada com precaução, pode acarretar um problema para a produção de leite, já que a fabricação depende da frequência com que o peito da mãe é estimulado.

Outro fator importante a considerar é a ejeção, que está diretamente ligada à ocitocina. Em situações de preocupação, dúvidas, medo e dor, a produção desse hormônio pode ser inibida e o leite não “descer”. Nesses casos, a mulher produz o leite, mas involuntariamente inibe a sua ejeção. Isso a coloca em risco de desenvolver ingurgitamento mamário, mastite, abscessos e até mesmo diminuir a sua produção, além de agravar o seu quadro da Covid-19.

Para evitar que esses problemas aconteçam, é necessário instituir uma frequência de ordenha que acompanhe a demanda do bebê. Também precisamos observar os critérios de armazenamento e descongelamento do leite para que sejam mantidas todas as suas propriedades.

Diante disso, o essencial é que a mãe mantenha a calma, tente relaxar e se cuidar e, se necessário, procure ajuda de familiares ou orientação profissional.

*Virginia Ferreira, consultora em amamentação

Sobre Virginia Ferreira

Natural de Patrocínio (MG), Virginia Ferreira é graduada em Fisioterapia pelo Centro Universitário do Cerrado Patrocínio (UNICERP), e começou a trabalhar com gestantes e aleitamento materno há mais de 20 anos.

Em sua trajetória, foi professora da UNIVAÇO e da UNEC, onde idealizou e coordenou o Núcleo de Apoio Humanizado a Gestantes e Nutrizes (NAHGEN), um projeto social que atendeu gratuitamente centenas de gestantes, e foi premiado pelo Top Educacional Mário Palmério, em Brasília. Foi docente também da pós-graduação em Fisioterapia na Saúde da Mulher da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.

Em 2007, formou-se como conselheira e multiplicadora do Aconselhamento em Aleitamento Materno pelo Instituto Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz, para se dedicar inteiramente ao cuidado e formação de gestantes, mães, e também de profissionais, como consultoras e laserterapeutas, mais informadas e empoderadas.

Atualmente, é gestora e administradora do Virginia Ferreira Saúde – onde atua na assistência em amamentação e formação profissional de consultores e laserterapeutas –; professora das pós-graduações em Fisioterapia na Saúde da Mulher e na Saúde Pélvica do IPL – Instituto Patrícia Lordêlo e em Fisioterapia em Obstetrícia da Aprimore; e multiplicadora e avaliadora da Iniciativa Unidade Básica de Saúde Amiga da Amamentação (IUBAAM).

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