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11/04/2021

Exigimos “Uma Dose de Respeito” pela saúde das pessoas com síndrome de Down

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 É preciso chamar a atenção para os riscos que as pessoas com deficiência intelectual correm de serem as vítimas graves da Covid-19. Foi lançada a campanha “Uma dose de respeito”, pela vacinação dessas pessoas.

 Por Thaissa Alvarenga*

O mês de março, em que celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down (T21) no dia 21, tem sido palco de grandes mobilizações acerca das pautas inclusivas. Uma delas é a campanha Uma Dose de Respeito, lançada na última semana, para pressionar as autoridades a iniciar imediatamente a vacinação das pessoas com trissomia do 21.

A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, junto às 38 instituições associadas, entre elas a ONG Nosso Olhar, pede às autoridades a priorização da vacinação para esta população e chama a atenção para pesquisas científicas que comprovam a vulnerabilidade e o maior risco de internação. É o que aponta o estudo feito pela American Association for the Advancement of Science, em 2020, no Reino Unido, que acompanhou mais de quatro mil pessoas com síndrome de Down (T21) e constatou que esses pacientes têm até cinco vezes mais riscos de serem hospitalizados e 10 vezes mais chances de morrer, caso sejam infectados pelo novo coronavírus.

Thaissa Alvarenga e o filho Chico

O Brasil já participa de estudos como esse. Um deles é o da T21 Research Society, publicado neste mês na revista The Lancet’s E Clinical Medicine, uma iniciativa colaborativa e internacional que conta com a participação da médica brasileira, Dra. Ana Claudia Brandão, membro do Comitê Técnico Científico da Federação Brasileira das Associações de síndrome de Down (T21).

Essa iniciativa avaliou, até o momento, o maior número de casos de Covid-19 em pessoas com síndrome de Down (T21), mais de mil casos. Também revelou que, em adultos com a síndrome, o curso da infecção é mais grave e as taxas de complicações e mortalidade são significativamente mais elevadas do que na população geral, conforme explicou a Dra. Ana Claudia em seu parecer pelo Comitê Técnico-Científico, publicado no site da campanha (federacaodown.org.br/uma-dose-de-respeito/).

Está bem claro que a vacinação das pessoas com trissomia do 21 é um assunto urgente, mas não para por aí

Essa priorização está prevista na legislação. Segundo a Lei Brasileira de Inclusão em situações de risco, emergência ou estado de calamidade pública, a pessoa com deficiência deverá ser considerada vulnerável, devendo o poder público adotar medidas para sua proteção e segurança.

É importante priorizar a vacinação das pessoas com síndrome de Down

A campanha brasileira ganhou apoio de organizações internacionais, como a Down Syndrome International, a Disabled People’s Organisations Denmark e a UKaid. Muitos países, inclusive, já aderiram à priorização da vacinação para pessoas com síndrome de Down (T21) junto ao grupo de idosos, como a Holanda, a Alemanha, a França, Portugal, a Itália, países do Reino Unido e em alguns estados dos Estados Unidos. No Brasil, a aderência é pouca e por isso a campanha é tão importante. O Piauí deu a largada em 21/03 e começou a vacinação em pessoas com deficiência. No Mato Grosso do Sul, a imunização para o segmento está acontecendo em Sidrolândia, Jardim e Campo Grande.

Como mãe de uma criança com síndrome de Down (T21) e fundadora da ONG Nosso Olhar, apoio a manifestação e considero fundamental a vacinação imediata. As pessoas com trissomia do 21 têm baixa imunidade e, muitas vezes, apresentam doenças associadas que podem levar a maiores complicações, como as condições específicas cardíacas e respiratórias. Precisamos que a lei seja cumprida!

Convidamos todos a se juntarem a nós neste movimento, para reforçar o pedido de priorização da vacinação às pessoas com síndrome de Down (T21) contra a Covid-19. No site da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, é possível ter acesso à campanha e acompanhar as informações, os estudos científicos, os vídeos e diversos materiais que comprovam a importância da vacinação urgente. É apenas por meio do trabalho em rede que poderemos alcançar a verdadeira inclusão.

 

*Thaissa Alvarenga é fundadora da ONG Nosso Olhar

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