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da Vida em Família
06/03/2021

Amamentar filhos em idades diferentes sem prejuízos

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Amamentação em tandem: “O bonde do tetê”


Por Dr. Moises Chencinski

 

Então, você engravidou, manteve a amamentação do seu filho durante todo esse período (LACTOGESTAÇÃO) e está perto da hora do parto. E agora?



Quando nascer o seu novo bebê, manter os dois no seio ou não? Como será a reação deles perante a amamentação? Um vai atrapalhar ou prejudicar a nutrição do outro? Ciúmes?

E você? Será que vai dar conta e ter leite para os dois? Não vai ser muito cansativo? É muito diferente de amamentar gêmeos?



São tantas emoções e mais dúvidas e mais mitos e mais pressões, né?

Se LACTOGESTAÇÃO é manter o aleitamento materno do filho durante a gestação, a continuidade e evolução desse processo, ou seja, oferecer o seu leite através de suas mamas aos dois (o mais velho e o recém-nascido) se chama AMAMENTAÇÃO EM TANDEM.

Qual é a origem da palavra TANDEM?

Essa é uma palavra que vem do latim significando enfim, em suma.

No final do século XVIII passou a dar nome a um tipo de cabriolé descoberto puxado por dois cavalos em linha. Mais tarde, uma bicicleta com dois assentos, em que os dois ocupantes pedalam ao mesmo tempo, na mesma direção também virou TANDEM.

Mais recentemente, o Salto Tandem, uma variação do paraquedismo tradicional, em que duas pessoas saltam juntas, como um só: um instrutor, com bastante experiência, e um passageiro, normalmente um novato.

Até as definições dos dicionários Houaiss e Michaelis, trazem as mesmas explicações:

– Pequena carruagem, puxada por dois cavalos em linha, um atrás do outro.

– Bicicleta com dois ou mais selins, um atrás do outro.

– Conjunto de duas unidades colocadas uma atrás da outra.

Assim, por analogia, qualquer conjunto de “duas unidades” (dois filhos), dispostas uma atrás da outra (vindos em sequência), como é o caso do instrutor mais experiente (filho mais velho) e do passageiro novato (recém-nascido) será conhecido como EM TANDEM.

 

Respondendo às dúvidas

A primeira resposta, que vale em qualquer parte do processo da amamentação, a decisão será sempre da mãe, com informação e acolhimento dos profissionais que a acompanham, da sua rede de apoio, sem julgamentos, independentemente da nossa “crença”, de nosso “desejo”, de nossa “opinião”.

Partindo dessa premissa, ideia ou fato inicial de que se parte para formar um raciocínio (Caldas Aulete), algumas informações são importantes.

Todas as informações que se seguem são embasadas em estudos científicos atuais, robustos, éticos e que estão à disposição para quem se interessar.



Quando o novo bebê vai nascer, o leite materno retoma a fase de colostro, privilegiando o mais novinho. Nessa situação, algumas vezes, pela mudança de gosto e de algumas características do leite materno (cor, cheiro, textura), a criança maior pode interromper por um tempo (e depois retomar) ou em definitivo a amamentação. Enquanto existe o TANDEM, o colostro fica mais estimulado, a sucção do maior mais estabelecida, favorece a produção e a quantidade do leite que passa a intermediário e maduro, de acordo com a normalidade do processo.

Livre demanda sempre favorece a produção do leite também. Quando a mãe gera gêmeos, seu organismo se prepara para dar leite a dois, ou três ao mesmo tempo e… sim… é possível (nem regra, nem obrigatório, mas possível) amamentar gêmeos exclusivamente até o 6º mês. Assim, amamentar dois filhos de ritmos e idades diferentes, exclusivamente até o 6º mês, também é possível sim.

Não há prejuízos para o crescimento do mais velho (que a essa altura já come e se nutre de outra forma), para quem o leite materno é um alimento complementar, além de manter os benefícios imunológicos e o vínculo, até o desmame natural.

Não há deficiência nutricional para o recém-nascido, prioridade na normalidade fisiológica da mãe, e o acompanhamento do seu crescimento e desenvolvimento comprovam isso.

Se eles vão mamar ao mesmo tempo ou um após o outro, ambos em livre-demanda, deve ser avaliado em cada situação individual. A livre-demanda tem significados e tempos diferentes para as duas crianças, com adaptação às necessidades de cada um deles em cada fase.

Cabe aos profissionais de saúde, o acompanhamento e o suporte adequados para que a mãe e as crianças sigam saudáveis e muito felizes com as suas opções.

 

Frase nova: A NATUREZA É SÁBIA. É só a gente não atrapalhar.

 

*Dr.  Moises Chencinski , pediatra e homeopata.

Presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo (2016 / 2019 – 2019 / 2021).
Membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (2016 / 2019 – 2019 / 2021).
Autor dos livros HOMEOPATIA mais simples que parece, GERAR E NASCER um canto de amor e aconchego, É MAMÍFERO QUE FALA, NÉ? e Dicionário Amamentês-Português
Editor do Blog Pediatra Orienta da Sociedade de Pediatria de São Paulo.
Criador do Movimento Eu Apoio leite Materno.

 




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