O Portal
da Vida em Família
26/01/2021

Vitamina D e fertilidade



Suplementação é recomendada também para evitar intercorrências na gravidez

 

 

*Por Dr. Roberto de Azevedo Antunes  

A maior fonte de vitamina D natural é o SOL e o processo de  absorção da mesma ocorre na pele, por meio dos raios UVA e UVB.  O ginecologista e especialista em Reprodução Humana,  Dr. Roberto de Azevedo Antunes, Diretor-médico do Centro de  Reprodução Humana  Fertipraxis, afirma que mesmo em países com alta incidência de exposição solar, como é o caso do Brasil, uma parcela cada vez maior da população encontra-se com níveis insuficientes de vitamina D. Esse crescente déficit na população  pode levar ao descontrole e ao surgimento de uma série de doenças e interferir diretamente na fertilidade dos casais.

A vitamina D tem uma ação sobre a regulação as células da imunidade inata, como as células apresentadoras de antígenos, células NK, alguns tipos de linfócitos T e B e sobre os monócitos. Traduzindo, ela promove um estado imunológico mais tolerante no organismo. Estima-se que a sua suplementação possa produzir um efeito benéfico em diversas patologias relacionadas a autoimunidade, como na psoríase, diabetes tipo1lúpus e alguns estudos apontam seu efeito até contra a Covid-19. 

No que tange os processos reprodutivos, ainda não se sabe ao certo como a vitamina D influencia esses processos. Existem estudos que mostram que pacientes com baixos níveis de vitamina D podem ter menores chances de gravidez, assim como existem várias publicações que concluíram que os níveis de vitamina D não afetaram as chances de se conseguir uma gestação. Portantonão há uma recomendação formal de se pesquisar a vitamina D como rotina do casal infértil, muito embora, dado o número de pesquisas sobre o tema, isso possa mudar. 



Atribuir a deficiência de vitamina D como uma das possíveis causas de abortamentos também é algo muito discutido na literatura. Se por um lado, pacientes com baixos níveis de vitamina D apresentaram, em algumas pesquisas um aumento das taxas de abortamento e de falhas de implantação, por outro, a reposição de vitamina D não pareceu corrigir o problema. Assim sendo, no momento ainda não é possível afirmar que os baixos níveis dessa vitamina são a causa dos abortamentos.  

Baixos níveis de vitamina D também parecem estar relacionados a diminuições da concentração de espermatozoides no sêmen, bem como da motilidade dos mesmos. Além disso, algumas publicações sugerem que homens inférteis, possuem menores concentrações de vitamina D do que aqueles que possuem filhos. 

Existem outras evidências que sugerem que diminuições das concentrações de vitamina D estão relacionadas com o surgimento de intercorrências ao longo da gravidez como a diabetes gestacional, a pré-eclâmpsia e a ocorrência de partos prematurosContudo, ainda são alvo de debate e discussão, tendo em vista que estudos posteriores falharam em mostrar melhora desses desfechos com a reposição de vitamina D. 

Segundo o Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia (ACOG), em conjunto com o Instituto de medicina (IOM) a recomendação é de 600UI por dia  de vitamina D para pacientes saudáveis que estejam buscando a gravidezContudo, esse é um tema em constante evolução, dado o elevado número de pesquisadores trabalhando nele. Assim, novidades sobre ele podem surgir a qualquer momento. 

  

*Dr. Roberto de Azevedo Antunes  é médico ginecologista e obstetra com especialização em reprodução assistida e endoscopia ginecológica. Mestre em ciências da saúde, com ênfase em fisiologia endócrina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é Diretor Médico do Centro de Reprodução Humana FERTIPRAXIS, Diretor da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Rio de Janeiro e Diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida.   

 Site:http://www.fertipraxis.com.br  

Instagram: @fertipraxis e @dr_roberto_antunes 




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