Placenta saudável é fundamental para o sucesso da gravidez

Por Dr. Rodrigo da Rosa Filho*, Ginecologista, obstetra e especialista em reprodução Humana

Especialista em reprodução Humana aponta os principais problemas que podem prejudicar a saúde da placenta e, consequentemente, do bebê e dá dicas sobre como evitá-los.

Uma das estruturas mais importantes para o desenvolvimento adequado do feto durante a gestação é a placenta, que, em resumo, é responsável por realizar a comunicação entre o organismo da mãe e do bebê. “A placenta é a responsável por favorecer o transporte de nutrientes para feto, filtrar as substâncias nocivas presentes no sangue da gestante, sustentar a gravidez, estimular os hormônios da gestação, como o estrogênio e a progesterona, e remover o gás carbônico e outros dejetos do líquido amniótico  para que sejam eliminados pelo organismo da mãe”, explica o Dr. Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista obstetra especialista em reprodução humana e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH).

Com tantas funções importantes durante a gravidez, qualquer deficiência que atinja a placenta pode prejudicar o desenvolvimento do feto e até mesmo impedir que a criança sobreviva. Por isso, é fundamental prestar atenção à saúde da placenta. “Grávidas com mais de quarenta anos, que sofrem com pressão alta, fumam, utilizam drogas ou possuem doenças que afetam a circulação são os grupos mais suscetíveis a sofrerem com complicações relacionados à placenta. Além disso, mulheres grávidas de dois filhos ou mais também fazem parte do grupo de risco de intercorrências placentárias”, alerta o especialista em reprodução humana.

Segundo o médico, entre os problemas mais comuns que afetam a placenta durante a gestação está o descolamento, caracterizado pelo rompimento das ligações entre o útero e a placenta, o que dificulta o transporte de nutrientes para o bebê. “Causado, na maioria das vezes, por quadros de hipertensão arterial e considerado um problema grave, o descolamento da placenta pode ser identificado principalmente pela presença de sangramento vaginal. No entanto, outros sintomas da condição incluem dor abdominal intensa, contração prolongada, trabalho de parto prematuro, suor excessivo, palidez e taquicardia”, destaca o Dr. Rodrigo. Outra condição comum durante a gestação é a placenta prévia, que ocorre quando a placenta se forma no local errado, muito próxima ao colo uterino. “Sem causa definida, o mau posicionamento da placenta, apesar de não representar grandes riscos, deve ser acompanhado de perto pelo obstetra, já que, em alguns casos, pode causar sangramentos graves e parto prematuro. A condição pode ser identificada principalmente através de sintomas como cólicas e sangramentos vaginais.”

A maneira mais eficaz de evitar qualquer um desses problemas é através da adoção de hábitos saudáveis que vão ajudar a placenta a se desenvolver corretamente, como não fumar, evitar ingerir bebidas alcoólicas e praticar atividades que ajudem a controlar o estresse, como a meditação. “Além disso, invista em uma alimentação saudável e balanceada, apostando nas frutas, legumes e verduras e evitando frituras e alimentos processados e ricos em açúcar. Vale a pena também realizar exercícios físicos regularmente, mas cuidado para não realizar esforços excessivos, que também podem prejudicar a saúde da placenta. No geral, natação, caminhadas e exercícios aeróbicos de baixo impacto são excelentes para serem realizados durante a gravidez, mas lembre-se de discuti-los antes com seu médico”, aconselha o especialista. O acompanhamento pré-natal, é claro, também é fundamental para garantir que a placenta e o bebê se desenvolvam corretamente e que qualquer problema seja diagnosticado precocemente, o que aumenta as chances de sucesso no tratamento.

No entanto, ao notar o surgimento de qualquer alteração durante a gravidez, o mais importante é que você consulte um médico para que o problema seja diagnosticado corretamente. “Após avaliação do seu quadro, o obstetra poderá indicar o tratamento mais adequado, que irá variar de acordo com o caso. Por exemplo, em casos de descolamento da placenta, o médico poderá recomendar repouso absoluto e até mesmo o parto prematuro, quando o problema ocorre a partir da 26º semana de gestação. Já no caso de placenta prévia, o problema tende a melhorar por conta própria se descoberto no início da gestação, mas o acompanhamento obstétrico é indispensável para evitar a ocorrência de sangramentos graves, que podem colocar a saúde da mãe e do bebê em risco e exigem internação”, finaliza o Dr. Rodrigo Da Rosa Filho

*DR. RODRIGO DA ROSA FILHO: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.