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da Vida em Família
25/11/2020

Gestantes e lactantes devem evitar o uso de medicamentos sem recomendação médica

Por Dr. José Moura, ginecologista

 

A automedicação é bastante comum entre os brasileiros. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ) em 2018, cerca de 76% dos entrevistados assumiram utilizarem medicamentos sem prescrição médica. O costume pode representar risco, principalmente para grávidas e lactantes.

De acordo com o ginecologista do Hospital Anchieta, Dr. José Moura, o primeiro trimestre de gestação é um período fundamental para todo o desenvolvimento do bebê, pois é a fase onde são formados os órgãos e a placenta. As mães também sentem de maneira mais intensa sintomas como enjoo, vômito, cansaço e retenção de líquidos. No entanto, a atitude de automedicar-se pode implicar diversos riscos, principalmente nos meses iniciais da gravidez. “Medicações podem alterar o desenvolvimento dos bebês, por isso recomendamos sempre a avaliação médica antes do uso de qualquer medicamento”, explica o ginecologista.

O mais recomendado para alívio dos sintomas é recorrer a métodos naturais, como repouso e boa alimentação. “O uso de medicamentos é recomendado em situações onde os sintomas estão exacerbados e as medidas comportamentais não surtiram efeitos”, conta o Dr. José Moura.

Algumas medicações podem ser usadas durante todo o período gestacional, desde que com orientação médica e sem exageros. Outras devem ser utilizadas com cautela. Segundo o especialista, “o uso de medicamentos na gestação deve ser feito de forma criteriosa e individualizada, para que malformações não apareçam durante esse período. Isso vai depender do tipo de medicamento e da fase gestacional em que está sendo tomado”.

No caso das lactantes, algumas substâncias contidas nos medicamentos podem passar para o bebê através do leite e causar efeitos como a sensação de sedação elevada. Portanto, nesse período, o uso de medicações deve ser feito com muito cuidado para não atrapalhar na amamentação.

Doenças crônicas

Para as mulheres com enfermidades crônicas, a orientação é que informem o médico sobre sua condição, uma vez que alguns remédios podem prejudicar o bebê e devem ser substituídos.

Dr. José Moura reforça ainda a importância do pré-natal para que doenças como hipertensão arterial e diabetes sejam identificadas e tratadas. “Se a paciente apresentar alguma patologia durante o período gestacional, essa precisa ser bem avaliada, principalmente sobre quais medicações utilizar para não comprometer o curso normal da gestação”, explica.

O tomar ou evitar

Algumas medicações como analgésicos e antibióticos são indicados durante o período gestacional, mas futuras mães precisam ser bem orientadas quanto a isso. Outras medicações como corticoides, relaxantes musculares e ansiolíticos também são permitidos de acordo com estado clínico da paciente. Já os anti-inflamatórios são contraindicados durante esse período, principalmente no segundo e terceiro trimestre, por alterar o fechamento do canal arterial.

Durante a amamentação, alguns ansiolíticos também devem ser evitados e o uso de anticoagulantes orais é contraindicado tanto na gestação quanto na amamentação. Por fim, é preciso ressaltar a importância do acompanhamento pré-natal. Todas as medicações a serem utilizadas nesse período precisam de liberação do médico, pois o uso indiscriminado de medicamentos oferece riscos tanto para mãe quanto para o bebê.

Emergência da mulher durante a pandemia COVID-19

Nesse momento onde a orientação é o isolamento para evitar contágio do novo coronavírus, o Hospital da Mulher Anchieta adotou medidas importantes para garantir a segurança das mulheres e conta, agora, com atendimento emergencial 24h diferenciado para pacientes com queixas ginecológicas ou obstétricas.

A novidade é a criação de um fluxo que separa as pacientes dos atendimentos comuns do Pronto-Socorro. Assim, quem precisa do suporte pode dirigir-se diretamente ao 6º andar, onde além do atendimento clínico, podem ser feitos exames laboratoriais e de imagem. Caso seja a internação seja necessária, o processo é feito no mesmo local, evitando contato com outros fluxos do Hospital Anchieta.

 



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