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da Vida em Família
25/11/2020

Será que meu filho está com atraso na aquisição da fala?

Por Christiane Benevides, fonoaudióloga
Veja alguns sinais de alerta que devem ser investigados

Cada criança tem seu tempo quando o assunto é desenvolvimento infantil. Entretanto, há parâmetros que podem ser usados para avaliar se os marcos do desenvolvimento estão dentro do esperado, ou se é preciso investigar um possível déficit ou atraso. Quando o assunto é fala, os pais precisam ficar atentos.

Isto porque de acordo com um estudo brasileiro, feito pela Universidade do Rio Grande do Sul, 6 em cada 10 crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) tinham atraso de fala. Esta foi ainda a principal razão para os pais procurarem ajuda.

Porém, segundo a fonoaudióloga Christiane Benevides, da Clínica Walkíria Brunetti, nem todo atraso na fala tem ligação com transtornos do neurodesenvolvimento. O atraso na fala pode estar ligado a diversos fatores, além do autismo.

“Algumas condições como problemas auditivos, apraxia da fala e o Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (DEL) são bastante prevalentes quando o assunto é atraso na aquisição da fala”, cita Christiane. Para a especialista, outros fatores também devem entrar na avaliação clínica, como estímulos não adequados, seja na escola ou em casa.

Cuidado com o ensino bilíngue
Outro aspecto que costuma afetar a fala é colocar a criança, precocemente, em escolas bilíngues. “Se um dos pais é estrangeiro e fala a língua materna em casa, não há problemas de a criança aprender as duas línguas, ou seja, o português e a língua falada pelo pai ou pela mãe. Mas, para incentivar uma aquisição adequada da fala, é importante conversar com a criança nos dois idiomas fora do ambiente escolar”, recomenda Christiane.

Entretanto, a fonoaudióloga ressalta que se os pais são brasileiros e a língua usada pela família é o português, colocar a criança em uma escola bilíngue durante a fase de aquisição da linguagem pode não ser uma boa ideia.

“A criança não terá espaço para praticar o idioma fora de casa. Nestes casos, a recomendação é esperar a criança aprender a falar corretamente a língua materna, para só depois colocá-la em uma escola bilingue”, reforça a especialista.

Quais são os sinais de atraso na fala?
Alguns marcos são importantes na aquisição da linguagem oral. O primeiro deles é o choro. “O choro é o primeiro sinal de que está tudo bem. Por volta dos três meses de vida, temos o balbucio. Trata-se da emissão de sons repetitivos pelo bebê, como gu……, arrrrr, etc. Lembrando que para que o bebê atinja este marco e os outros, é fundamental que os pais conversem com ele desde a gestação”, ressalta Christiane.

“Outro marco importante da fala ocorre por volta dos oito meses. Muitos bebês já entendem o não, dão tchau e começam a falar as primeiras palavras, geralmente formadas por sílabas simples, como mamá, papá, entre outras. Bater palmas e mandar beijos são outras conquistas desta fase. Espera-se que por volta dos dois anos e meio a três a criança esteja falando, formando frases, mantendo diálogos, com um repertório maior de palavras”, explica a especialista.

“Portanto, os sinais de que a fala pode estar atrasada podem ser notados quando o bebê não chora, não balbucia e assim por diante, de acordo com os marcos esperados para cada faixa etária. Quando a criança faz dois anos e não fala nenhuma palavra, é um sinal de alerta importante para procurar um especialista”, alerta Christiane.

Com a ajuda da fonoaudióloga, fizemos uma lista de alguns sinais de alerta quando o assunto é atraso na fala ou problemas de aquisição da linguagem. O ideal é procurar um neuropediatra e um fonoaudiólogo para pesquisar o que pode estar ocorrendo. Confira a lista.

  1. O bebê não balbucia ou não emite nenhum som aos 3 meses de vida
  2. Com 8 meses não fala nenhuma vogal ou consoante
  3. Aos 9 meses não dá tchau
  4. Com um ano de idade ainda não aponta para os objetos ou pessoas
  5. Com 18 meses ainda não fala nenhuma palavra
  6. Com 2 anos não consegue combinar duas palavras. Ex: quero água. Diz apenas “água”.
  7. Aos 3 anos não consegue construir frases
  8. Aos 2 anos, embora fale, a linguagem é incompreensível
  9. Regressão da linguagem em qualquer idade
  10. Presença de troca de sons na fala


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